TAEKWONDO - Sem grana, mas com o ouro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Faltaram investimentos e, mesmo assim, o taekwondo brasileiro colocou quatro medalhas no peito no Jogos Pan-Americanos disputados no Rio de Janeiro. Literalmente, uma luta dos envolvidos neste esporte que, apesar dos bons resultados, carece de reconhecimento no país. Um destes ''guerreiros'' é o londrinense Fernando Madureira, que comanda os treinamentos do medalhista de ouro, Diogo Silva, e de prata, Natália Falavigna. Confira a entrevista concedida à FOLHA, após as finais do taekwondo no Pan.
Qual a avaliação você faz da participação do taekwondo brasileiro no Pan?
O Brasil teve quatro medalhas: um ouro, duas pratas e um bronze. É um resultado inédito. Não vou dizer que superou expectativas, porque esperávamos três medalhas de ouro, e uma delas escapou por pouco devido a erros de arbitragem com a Natália. Mas acho que o esporte foi reconhecido como potência olímpica. Esperamos agora mais apoio para cumprir nossos planos de levar mais atletas para as Olimpíadas.
O que falta para popularizar de vez o esporte e chegar a um nível de excelência?
Além dos patrocínios, falta a inclusão do taekwondo em jogos universitários, jogos abertos de todo o Brasil. No Paraná, a gente já conseguiu colocar o taekwondo nos Jogos da Juventude. Isso ajudou bastante, tanto que Londrina, em especial, tem uma safra de atletas muito boa. O que eu espero agora é um espaço maior na mídia, porque ainda existe um certo descrédito. A mídia ainda não descobriu a potencialidade desse esporte, que tem um histórico de medalhas desde 2000, quando a Natália conquistou o Mundial júnior. É esse espaço que a gente precisaria para evoluir mais ainda.
As empresas também não enxergam o taekwondo como bom investimento?
A empresa só vai patrocinar se o esporte estiver na mídia. Uma coisa está ligada à outra. A partir do momento em que aparecem bons resultados, o taekwondo cresce na mídia e podemos apresentar projetos consistentes, mostrar para os empresários que o esporte é bom para se patrocinar.
Mesmo com uma renda de R$ 600, o Diogo Silva conquistou a medalha de ouro. Você considera um tapa na cara daqueles que não apóiam o esporte?
Exatamente. É uma resposta para quem não acreditou. O Diogo é mais um dos atletas que trabalham por amor ao esporte, para mostrar primeiro a competência que tem e só depois buscar algum retorno financeiro. Se houvesse investimento então, o resultado seria muito melhor. O Brasil conseguiu quatro medalhas neste Pan-Americano, duas com atletas que treinam em Londrina. A cidade conquistou isso, então esperamos que olhem para a gente com mais carinho. Temos apoio da Sercomtel, da Fundação de Esportes, mas ainda faltam investimentos na equipe, que conta com mais de 20 atletas, para ter maior participação nas Olimpíadas.
O trabalho de base tem promessas de uma nova geração tão ou mais forte que essa?
Quatro atletas de Londrina serviram a seleção brasileira no ano passado e conquistaram medalhas fora do país. Outros já estão classificados para o Pan-Americano júnior deste ano, além de cinco atletas que vão disputar a Universíade (Olimpíada Universitária), em agosto na Tailândia. Nossa equipe de base é exemplo de que o esporte traz resultado se o trabalho for bem feito.
O que o taekwondo pode ganhar com todo este investimento que foi feito no Pan?
O Comitê Olímpico Brasileiro tem olhado para o nosso lado, e nós vamos entrar com um projeto junto com o Centro de Excelência Esportiva (Cenesp) da UEL no Ministério dos Esportes para a construção de um centro de treinamento do taekwondo em Londrina. É uma realização possível, que já bateu na trave, mas agora tem tudo para sair do papel.


