Tabu fora de moda
Curitiba resistiu o quanto pôde à abertura do comércio aos domingos, às vezes com apoio do próprio prefeito quando Roberto Requião esteve no posto. E as escalas da atividade já tinham mudado consideravelmente com a chegada dos super e hipermercados que estabeleceriam novos patamares de comportamento de um novo tipo de consumidor.
Londrina sofre amarras do Código de Posturas que acabam afetando um dos mais dinâmicos setores de sua economia, o dos serviços, em função do dispositivo que lá está e que impede às lojas que não ficam em shoppings possam abrir além do horário estabelecido - das 8h às 18h de segunda a sexta e, aos sábados, das 9h às 13h. Dias atrás, funcionários de uma loja de departamentos instalada na Zona Sul foram às ruas em apoio à pretensão da empresa que quer funcionar, das 8h às 22h, de segunda a sábado e aos domingos até as 20h.
Há dificuldades notórias para a busca de um consenso entre os sindicatos patronal e dos trabalhadores, estes com uma posição histórica quanto à exigência do pagamento rigoroso das normas trabalhistas entre elas o pagamento das horas extras. O movimento irrompido pela empresa da Zona Sul recebeu apoio do Shopping Catuaí e também da Associação Comercial e Industrial quanto ao esforço pela flexibilização dessas exigências. Um dos argumentos da empresa chega a ser depreciativo para Londrina, o segundo polo urbano do Paraná, porque este é o horário de funcionamento das suas lojas em todos os municípios em que estão instaladas, muitos deles de porte inferior ao da segunda maior cidade paranaense.
O Código de Posturas de Londrina é de um outro tempo em que até se justificavam as restrições em função das dimensões e hábitos do mercado. Trata -se de um dispositivo de legislativo que engessa a atividade e que de forma alguma traz de volta a nostalgia dos tempos em que tal se justificava.
Incompatível com a dimensão cosmopolita da cidade, o atual horário trata-se de um tabu fora de moda, um espartilho estrangulando a expansão do comércio.





