Número de fumantes caiu pela metade nos últimos 20 anos
O que o jovem precisa é ter poder de decisão





Bicicleta, MP3, moto, barco, carro. Você, fumante, já parou para fazer as contas de quantas coisas ''queimou''? Pois a equipe de uma agência de publicidade resolveu fazer os cálculos e criou o tabaconomia.com.br, onde, indicando marca de cigarro, quantidade fumada diariamente e tempo de vício é possível descobrir se o seu objeto de desejo já ''pegou fogo'' há muito tempo.

O publicitário Victor Afonso é um dos integrantes da equipe de criação do site que já foi acessado em mais de 57 países. ''Não falamos o que é certo ou o que é errado, a gente quer que a pessoa faça o que quiser, contanto que saiba o que está fazendo. Queremos passar a informação de uma forma divertida e surpreendente, que fique com uma imagem impactante na cabeça e quando ela pensar em fumar, se lembre disso'', ressalta.

Como surgiu a ideia do Tabaconomia?
A (Agência) Master atende o Ministério da Saúde há 16 ®MDBO¯®MDNM¯anos e ao longo desse tempo a gente sempre fez campanhas antitabagista. A maioria delas falava que o cigarro faz mal à saúde. Esse é um argumento que foi usado muitas vezes e que funcionou. Tanto que nos últimos 20 anos uma pesquisa diz que caiu pela metade o número de fumantes. Só que mesmo assim tem muita gente que continua fumando. E grande parte da população que fuma faz parte das classes mais baixas, que gasta até 15% do que ganha com o cigarro. A gente quis usar outra abordagem para falar de um assunto que conhece bem, que é o antitabagismo. Resolvemos fazer um site que ligasse o tabaco com a economia e surgiu o Tabaconomia.

Vocês chegaram à conclusão de que o bolso é um argumento mais forte do que a saúde?
Não que seja um argumento mais forte, mas é um argumento que até agora foi pouco utilizado ou não utilizado. O fumante sempre é lembrado que o cigarro faz mal à saúde, todo maço de cigarro traz advertências. Muita gente pode não se dar conta, mas se você somar os anos que um fumante consome o cigarro, dá muito dinheiro.

Como é a reação das pessoas quando descobrem a quantia que elas já ''fumaram''?
As pessoas ficam surpresas quando descobrem que fumaram um jet ski, uma moto. Tem quem fume há pouco tempo e mesmo assim já ''consumiu'' uma TV de plasma. Elas acabam falando para outros amigos que também fumam. Ou quem não fuma acaba fazendo o cálculo por quem ele conhece. O filho que coloca os dados do pai e encaminha para ele ver.

Alguém falou em parar de fumar por causa dessa constatação?
Essa resposta a gente não teve, mas com certeza é o nosso objetivo. Se ela não parar de fumar que ela pare para pensar sempre antes de fumar o que ela está literalmente queimando com o cigarro.

Qual é o público do Tabaconomia?
Grande parte é jovem, até por se tratar de um site, mas muita gente que fuma há muito tempo também acessou. Gente que fuma há 20, 30 anos. Acho que o cara que tem o primeiro contato é o jovem, mas ele indica para o pai, para o tia, para o avô.

O Ministério da Saúde deu algum retorno para vocês sobre esse trabalho?
Eles conhecem esse trabalho, mas isso foi uma iniciativa da agência, não do ministério, até porque o foco deles é óbvio que é a saúde. Como a gente partiu para esse lado da economia, eles não poderiam assinar esse trabalho por não se tratar do foco deles.

A propaganda do cigarro está mais restrita. Isso faz diferença?
Claro, com certeza. Apesar disso a indústria do cigarro continua furando esse bloqueio, patrocinando filmes onde se vê atores fumando, ou mesmo no ponto de venda, com cartazes. No caixa, na padaria, em um bar, eles continuam com esse trabalho, continuam ganhando novos fumantes. Mas a restrição da propaganda tem grande parte do mérito de ter diminuído o número de fumantes, com certeza.

O que poderia ser feito para proteger os jovens, que são o público-alvo dessas propagandas?
A gente sabe que o que não podemos dizer para o jovem é que ele não pode fazer determinada coisa. Isso muitas vezes vai deixá-lo mais curioso ainda. O que a gente pode dar para o jovem é informação. Dizer assim: o cigarro faz mal, o cigarro custa tanto ao longo da sua vida. O que o jovem precisa é ter poder de decisão.

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