Sustentabilidade ambiental
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de junho de 2003
Amélio Dall'Agnol 
No dia 5 de junho comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente ou Dia do Ambiente, para os que argumentam que não existe ''meio ambiente'' e sim ''ambiente inteiro'', numa clara indicação de que entendem ''meio'' como metade de um inteiro e não como o meio físico ou o entorno ecológico, dentro do qual nos inserimos.
Esta data, se bem comemora avanços importantes na preservação dos recursos naturais, também se constitui num momento para reflexão sobre os danos já causados ao ambiente e as ameaças que ainda pairam sobre ele, a manter-se o atual modelo de desenvolvimento agressivo à natureza, praticado conscientemente pelos ricos e inconscientemente pelos pobres.
Estes, destruindo os recursos naturais para sobreviver e aqueles, para enriquecer-se ainda mais. ''Não se pode conceber um planeta ambientalmente sadio, num mundo socialmente injusto'' (Eco 92). Vivemos o dilema de um duplo problema: a necessidade de conservar os recursos naturais e a necessidade de alimentar uma população sempre crescente, donde surge a pergunta: como satisfazer as necessidades alimentares de mais de um bilhão de subnutridos, sem destruir a capacidade de alimentar outros bilhões de seres humanos que nascerão nas próximas décadas?
Pobreza e destruição ambiental estão intimamente relacionados, pelo que fracassaria qualquer programa de proteção ambiental que não tomasse em consideração os pobres que sobrevivem da exploração dos recursos naturais. Uma política racional de proteção ambiental passa pela erradicação da pobreza, para o que muito contribuiria o fim da competição desleal no mercado global, gerada pelos subsídios e pelo protecionismo das nações ricas em favor dos seus produtos, o que contribui para privar as nações pobres de ingressos que poderiam ser investidos na melhoria da qualidade de vida da parcela mais pobre da sua população, para quem, na situação em que se encontram, mais importante que preservar a natureza para gerações futuras, é garantir a própria sobrevivência e a de seus familiares.
Nesse contexto, é importante salientar que as nações ricas precisam ser mais solidárias com o desenvolvimento sustentável das nações pobres, de vez que seus habitantes, na desesperança de uma vida digna em seus países de origem, poderão optar por emigrar legal ou ilegalmente para o eldorado que pensam ser o Primeiro Mundo, onde representarão riscos de desestabilização social, como já parece estar ocorrendo com latino-americanos nos Estados Unidos e com africanos na Europa.
Felizmente, há claros indícios de que está crescendo a conscientização de governantes e da sociedade em geral sobre a necessidade de preservar a capacidade dos recursos do Planeta que são vulneráveis e finitos de prover alimentos e outras necessidades para as gerações que nos sucederão, se a atual tiver juízo.
O destaque dado pela ONU ao meio ambiente e a acolhida das suas propostas pelos Chefes de Estado presentes na 2 e 3 Conferencias sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Brasil, 1992) e (África do Sul, 2002), atestam essas preocupações e são uma clara indicação de que as ameaças ao ambiente são reais. Só mister Bush, o Rei dos Sujismundos, finge não saber e, feito avestruz, enterra sua cabeça na sujeira que seu povo produz, para não vê-la. Governando apenas 5% da população mundial, é responsável por 25% da sujeira global.
É verdade que a destruição ambiental é responsabilidade tanto das nações pobres quanto das ricas, mas é muito mais responsabilidade destas, de vez que, sendo apenas 25% da população mundial, elas consomem 80% dos recursos naturais do Planeta.
AMÉLIO DALL'AGNOL é engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Soja em Londrina


