SUSTENTABILIDADE - Tecnologia faz mal ao ambiente?
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quinta-feira, 05 de junho de 2008
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Você consegue se imaginar vivendo sem o conforto proporcionado por tecnologias como forno de microondas, telefone celular ou computador? Na Semana Mundial do Meio Ambiente, um dos principais questionamentos que se faz é relacionado a quanto o avanço das tecnologias pode ser prejudicial à natureza.
O assunto foi debatido na primeira semana de Tecnologia e Meio Ambiente da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e, na opinião de um dos palestrantes, o professor doutor João Antonio Cyrino Zequi, o ideal é investir em pesquisas para que as novas tecnologias causem o mínimo impacto possível. ''Não dá para abrir mão dos avanços''.
Em entrevista à FOLHA, Zequi fala ainda do papel dos governantes em relação ao meio ambiente e a dificuldade em implantar programas de educação ambiental.
Até que ponto a tecnologia pode atuar em favor do meio ambiente?
Existem várias tecnologias com possibilidade de serem implantadas para auxiliar o meio ambiente. Cientificamente comprovado, temos novas alternativas de modelos para produção de energia e uma série de atividades cotidianas com tecnologias que utilizam produtos menos poluentes, por exemplo.
A tecnologia tem também um lado negativo?
Usa-se muito o termo sustentabilidade. Será que é possível viver com todo conforto, com novas tecnologias, e não ter impacto ambiental? Isso não existe. O ideal é tentar reverter e causar o mínimo impacto possível. Não dá para abrir mão dos avanços da tecnologia. Ninguém vai lascar pedra para sair faísca e acender fogo. Ainda há quem defenda uma teoria mais conservadora, mas não abre mão do conforto que existe hoje.
O governo trabalha corretamente na adoção de novas tecnologias?
Algumas tecnologias são comprovadamente viáveis, mas não são colocadas em prática por conta do comodismo. A usina hidrelétrica é uma das mais limpas em termos de produção de energia, mas tem um impacto ambiental forte, porque contribui com a perda de biodiversidade, precisa alagar uma área imensa. E nós temos fontes alternativas em nosso País, como a luz solar e a energia eólica, mas os governantes partem para o comodismo. Não gostam de encarar o novo, pensando que vai custar mais caro implantar uma nova matriz energética. A maior dificuldade na questão ambiental envolve o governo, já que as empresas, teoricamente, seguem as leis brasileiras, eficientes nesta área. Tem ainda o lado da população, que carece de educação ambiental. É difícil falar de conscientização ambiental para a pessoa que mora em condições precárias em um fundo de vale.
Qual é o modelo ideal de educação ambiental?
Não é pelo simples ato de chegar e falar que a pessoa vai se conscientizar. Educação é uma mudança de comportamento e para isso são necessárias ações diárias focadas na atitude. Grande parte das pessoas sabe o que é correto e o que não é. Um exemplo, a coleta seletiva de lixo. Existem pessoas que estão totalmente cientes mas não fazem, por questão de postura, atitude. Por isso trata-se de uma mudança de muito longo prazo. A pessoa só muda quando sente que está sendo afetada diretamente.
Estamos entrando na era do lixo eletrônico, com computador ficando descartável graças à rápida evolução. Como vai ser lidar com a destinação desse tipo de material?
A alternativa é reciclar, reaproveitar. O grande problema disso tudo é que a população tem uma tendência em renovar esses equipamentos muito rápido. Há um consumismo desenfreado por tecnologia. Essa renovação constante causa um impacto no ambiente por conta da retirada de matéria-prima para produzir esses equipamentos. Por isso a melhor alternativa é reciclar.


