Centro é limpo, seguro, tem muita música, recreação e cultura
Uso de água e de eletricidade diminuiu




Curitiba - Conhecido como Prefeito Verde, Will Wynn, ex-chefe do Poder Executivo de Austin, no Texas (EUA), é uma referência quando o assunto é inovação e sustentabilidade. Durante dois mandatos, de 2003 a 2009, ele foi o responsável por estimular o uso de fontes de energia limpas na cidade e ganhou prêmios de eficiência por essa política.

Outra premiação de destaque foi a de Funcionário Público Municipal do Ano, concedida pela Associação Nacional de Assistentes Sociais, em função da resposta que Austin deu à população após a passagem do furacão Katrina, em 2005.

Outra façanha do Prefeito Verde foi a criação de uma versão para Austin da apresentação de Al Gore sobre os impactos das mudanças climáticas. O projeto do vice de Bill Clinton inspirou o documentário ''Uma Verdade Inconveniente'', premiado inclusive com o Oscar de melhor documentário.

Sob a liderança de Wynn, Austin conseguiu expandir o mercado do programa de ''prédios verdes'' e implementou um sistema chamado ''Downtown District Cooling'', que consiste no armazenamento de gelo em duas usinas durante a noite para que o degelo durante o dia alimente um sistema de ar-condicionado geral para todo o Centro da cidade, atingindo uma área de cerca de 200 quarteirões.

A experiência de desenvolvimento do centro da cidade, em parceria com o setor privado, inclui o incentivo para a construção de arranha-céus de escritórios e projetos de restauração.

Famoso por incentivar a campanha ''Mantenha Austin Esquisita'' (em tradução livre), explicada pela resistência da cidade em abrigar ícones do capitalismo dos Estados Unidos como as lanchonetes da rede McDonald's, Will Wynn participou da Conferência Internacional de Cidades Inovadoras, realizada de 10 a 13 de março em Curitiba, quando concedeu a seguinte entrevista à Folha de Londrina.

Como era a cidade de Austin quando o senhor começou o seu mandato como prefeito?
Em 2000, a cidade era saudável. Nós estávamos crescendo e tínhamos uma boa economia. Mas o nosso centro estava sofrendo, como em muitas cidades norte-americanas. Então, como arquiteto, eu queria reconstruir, revitalizar o nosso centro. E nós tentamos de tudo, cometemos vários erros, mas fizemos muito progresso. Agora nós temos dezenas de milhares de pessoas se mudando para o nosso centro que talvez hoje seja o lugar mais vibrante da cidade. É muito limpo, seguro, tem muita música, muita recreação, artes perfomáticas, cultura. É uma história de sucesso marcante sobre um centro de cidade.

Quem esteve envolvido nessa transformação?
Muitos parceiros. O setor privado, principalmente, que é quem constrói os prédios. Então nós estávamos muito dependentes e proximamente aliados com o setor privado para fazer acontecer. Mas, no fim das contas, foram as políticas do município que deram os parâmetros para os desenvolvedores chegarem e construirem seus prédios altos. E para que as pessoas quisessem mudar para eles. Foi uma experiência recompensadora como arquiteto ver uma paisagem sendo criada, as calçadas sendo melhoradas. Também teve um efeito positivo no meio ambiente. Nosso uso de água e de eletricidade diminuiu, o tráfico reduziu dramaticamente. Então, realmente, todo mundo ganha. O meio ambiente ganha, os proprietários das residências ganham, os impostos aumentam, o orgulho da cidade cresce, as artes perfomáticas se erguem, os músicos estão indo melhor, tem mais música do que antes. É uma história de sucesso tanto economicamente como ambientalmente.

Foi difícil convencer a população a acatar as ideias?
Às vezes foi sim. As cidades brasileiras enfrentam o mesmo tipo de retrocessos políticos, de tempos em tempos. Então, claro, nem todo mundo gostou, nem todo mundo gosta ainda hoje. Mas eu acho que as pessoas veem os benefícios que vieram no final. Muitas vezes o progresso vem de forma ''atrapalhada'', mas é progresso de qualquer forma. Agora nós estamos em uma posição muito melhor do que estávamos há dez anos.

E o senhor quer mostrar que é possível fazer tudo isso em apenas nove anos?
Eu posso mostrar que pode ser feito relativamente rápido. É preciso um pouco de inovação e parcerias. Mas tem um bom resultado econômico e ambiental.

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