Suspeitas sobre vereadores de Londrina
Quem levanta suspeitas sobre vereadores de Londrina é o presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura, Nelson Brandão. Entrevistado por este Jornal, ele denuncia a facilidade de alteração de leis sobre o zoneamento urbano, o uso do solo e a doação de terrenos a empresas e instituições, para beneficiar terceiros, e alerta que ''um grupo de vereadores pode estar agindo de má fé''. O que tem chamado a atenção do Clube de Engenharia foi a mudança recente de leis, nas últimas sessões da Camara em 2007.
O caso do recebimento de propinas pelo vereador Henrique Barros, ora denunciado (e em parte réu confesso), tem a ver com esse tipo de alterações ou aprovações. Pelas palavras de Brandão, empresários têm-lhe falado que é mais rápido e barato conseguir a aprovação, via suborno, de projetos legislativos (de interesse particular) do que seguir os caminhos legais. Isto é de muita gravidade, porque implica também em cumplicidade. No caso dos vereadores, ''a suspeita não é apenas sobre um deles mas sobre vários'' á- declara.
Os murmúrios do povo são sinalizadores e não podem ser descartados. O que desde muitos anos se ouve no vozerio popular são histórias de surbornos a homens públicos, incluindo vereadores. Pessoas que declararam ter sido solicitadas a pagar propinas se manifestam, embora não publicamente, e também não o fazem em juízo. Mas isto nutre o falatório das ruas, que no julgamento do povo são as verdades não possíveis de provar, por circunstâncias óbvias. A aquiescência ao suborno - de quem o recebe e de quem o paga - tem portanto dois sentidos e enquadra ambas as partes.
São graves estas revelações do presidente do Clube de Engenharia: empresários que procuravam a entidade para intermediação visando a doação de áreas junto a Prefeitura, para instalação de empresas, ''simplesmente não o fazem mais, porque consideram mais barato e mais fácil fazerem acertos com vereadores''. Por ''acerto'' ele se refere a ''oferecer-lhes algo''. O Clube de Engenharia já levou denúncias do gênero ao Ministério Público, mas o difícil é reunir as provas. Porque quem recebe propina não passa recibo. Mediante comprovação e mesmo flagrante já é difícil manter preso alguém que é denunciado, imagina-se com provas mais frágeis!
Brandão também denuncia que uma área muito grande, além da medida aceitável, foi doada a uma fábrica. São mais de 10 alqueires - ele diz - quando uma empresa similar precisaria de apenas 3 mil metros quadrados. Ele questiona por que doar de imediato quando a área poderia ser cedida até o estabelecimento se instalar, e assim saber-se quanto espaço foi necessário.





