SUS e o caos na saúde
A partir da análise dos dados que mostram que a oferta de leitos disponíveis ao Sistema Único de Saúde (SUS) diminuiu nos últimos três anos fica mais fácil entender o caos vivenciado diariamente pela população que precisa de atendimento médico. Números apurados pela FOLHA no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde, mantido pelo Ministério da Saúde, indicam que houve uma redução de cerca de 4% - ou 951 leitos no período. Atualmente, são 21.657 unidades.
A alegação principal dos gestores é que houve perda em internação, principalmente em hospitais localizados em pequenos municípios. A contrapartida, segundo o governo estadual, estaria no aumento de 177 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e de algumas especialidades, como cardiologia e neurologia. Há também o argumento de que apesar da redução, o número de internações permaneceu estável.
Essas estatísticas reafirmam que o problema da saúde é muito maior do que simplesmente trazer médicos estrangeiros para atender a população. É óbvio que as pessoas merecem ser atendidas com dignidade e que não deveriam esperar horas ou dias por uma consulta simples ou serem obrigadas a percorrer diversos estabelecimentos em busca de um profissional. Além disso, esse primeiro contato médico é importante porque pode contribuir para desafogar os hospitais. No entanto, de nada adianta o encaminhamento se não há leitos para receber o paciente e se a espera pela internação continuar por tempo indefinido.
A partir dos números apresentados é possível supor que o caos continuará, até porque não foram anunciados investimentos significativos para melhorar esse cenário. O direito à saúde, que é constitucional, continuará não sendo cumprido e o ciclo se manterá. Já é passado o momento de a sociedade organizada se posicionar sobre o tema e pressionar por investimentos para que a saúde como um todo melhore e para que os brasileiros recebam um tratamento mais digno.





