Se vozes já eram ouvidas a respeito, declaração publicada ontem neste jornal robustece a corrente de que possa haver um esquema de extermínio de menores delinquentes em Londrina, cidade onde os assassinatos de adolescentes infratores assumiram proporção alarmante nos últimos anos. A declaração é de Gelson Gil, coordenador do Centro de Direitos Humanos de Londrina. No corpo da reportagem sobre os jurados de morte ele coloca pontos de interrogação sobre o tema e sugere a necessidade de ''um estudo científico para que se conheça a realidade atrás das estatísticas''.
Ele afirma que a pobreza não se alastrou tanto, que o tráfico de drogas também não, e que não há, portanto, justificativa para o número de execuções haver aumentado dessa maneira. Diz que há casos de mortes em confronto com policiais, casos recorrentes de execuções cujos autores disparam a partir de motos em movimento, e número expressivo de armas com numeração raspada.
Pela dedução de suas palavras, pode existir um sistema organizado de extermínio, ''do qual não se sabe quem exatamente participa''. Propõe que se investigue a fundo cada uma das histórias desses adolescentes e se descubra o elo que os faz vítimas e atores da violência.
A questão está posta e não pode ser desconsiderada, pois se a causa de tantas mortes é o acerto de contas na caudal do tráfico de drogas, a possibilidade da existência de um comando de execuções não está descartada.
Quem leu pela imprensa, na época, deve recordar-se que uma autorizada voz declarou que, se a onda de assassinatos de menores infratores, em Londrina, era alarmante, a sociedade não estava questionando isso. Deixava no ar a suposição de que, afinal, eram marginais que estavam sendo mortos e que a população não estava se incomodando.
Quem ficar de ouvidos atentos escutará pelas ruas opiniões idênticas, e isto torna o problema mais preocupante, a validar de forma sub-reptícia a pena de morte um caminho simplista e perverso de solucionar um problema que é da sociedade e está refletido na marginalidade.
Em meio a essa corrente sinistra, lê-se na mesma reportagem a boa notícia de que, brevemente, a cidade terá um educandário com espaço e estrutura para ressocialização desses delinquentes, porque hoje eles são confinados no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente, o já conhecido Ciaad.
Mas, enquanto a instituição não entra em funcionamento e comece a produzir resultados, a sociedade não pode ficar indiferente, e também não deve, apenas, posicionar-se como vítima e reivindicadora de segurança; e muito menos aceitar e reforçar a desumana avaliação de que os jovens assassinados são agentes do tráfico de drogas, podendo portanto ser eliminados...
Todos bem sabem que, por trás do trabalho de formiguinha desses garotos, existe o gigante negócio da produção e tráfico de drogas, e o que eles praticam a entrega das porções aos consumidores, a mando de marginais mais graúdos é um recurso de subsistência neste País de desempregados, queira admitir isso ou não a denominada parte sã da sociedade.

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