SUPERMERCADOS Cooperativismo é a estratégia na luta de 'Davi contra Golias'
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domingo, 08 de junho de 2003
Osmani Costa<br> Reportagem Local 
Londrina Há pouco mais de 11 anos, em pleno governo de Fernando Collor de Mello, e quando seus planos mirabolantes já haviam fracassado na tentativa de dominar a inflação, a situação dos pequenos e médios supermercadistas londrinenses era péssima. Em plena escalada inflacionária que obrigava à remarcação de preços quase diária e corroía o poder de compra do consumidor chegavam à cidade as primeiras grandes redes de hipermercados para dificultar ainda mais a já caótica sobrevivência das empresas locais do ramo da alimentação.
Foi envolto neste clima desfavorável, que um pequeno grupo de empresários teve a idéia de formar uma cooperativa que lhes desse o suporte para negociar em conjunto com os grandes atacadistas, para diminuir os custos, ampliar as vendas, garantir a manutenção de seus estabelecimentos, enfrentar a concorrência que se acirrava e recuperar a margem de lucro. Assim, nasceu a Associação Londrinense de Empresas Supermercadistas (Ales). Entre os fundadores da entidade estava o administrador de empresas e proprietário do Supermercado Fartura, Humberto Tomiotto, 47 anos e atual vice-presidente da Ales:
Folha Como está o negócio no setor dos supermercados em Londrina e região?
Tomiotto Está difícil, como praticamente em todos os outros. A situação está apertando os pequenos e médios empresários deste ramo. Já foi melhor, na época em que o ramo era explorado só por capital nacional. A entrada das grandes redes com seu forte marketing prometendo preço baixo e qualidade nos produtos causou um impacto inicial negativo no setor. Mas o tempo se encarregou de mostrar que há uma heterogeneidade de consumidores, que os hipermercados não são capazes de atender toda a segmentação existente.
Folha Mas a chegada dos grandes hipermercados hoje eles são cerca de dez em Londrina causou muito estrago entre os pequenos supermercados de bairros, da periferia e das pequenas cidades?
Tomiotto É verdade. Houve muitas falências, muita troca de donos nas empresas desse porte.
Folha Foi quando vocês tiveram a idéia da Ales?
Tomiotto Exatamente. A idéia nasceu da necessidade de uma reação dos pequenos e médios supermercadistas diante do adversário poderoso os grandes são competentes, têm pessoal capacitado para entender a economia e o sistema como um todo e frente a uma situação extremamente complicada.
Folha Como foi este início e como a Ales tem funcionado?
Tomiotto Buscamos apoio na experiência de uma cooperativa de supermercadistas de Cariacica, na Grande Vitória (ES), que foi a primeira do Brasil e hoje está com 20 anos de funcionamento. O centro da proposta é o cooperativismo o corporativismo mesmo entre os iguais, os pequenos, para enfrentar o diferentes, os poderosos. Começamos com poucos sócios, e hoje estamos com 26 empresários donos de 44 supermercados. Neste período, nenhum de nossos sócios faliu; pelo contrário, quase todos eles expandiram seus negócios.
Folha Qual é o segredo do sucesso?
Folha O segredo é a troca de informações, de experiências entre os associados. E a formação de grupos para compras em conjunto junto aos grandes fornecedores. A saída é investir em logística; organizar os supermercadistas para serem mais eficientes em seus negócios. Temos que aproximar o consumidor do fornecedor, diminuir a linha que existe entre os dois elos. Como negociamos um grande volume de mercadorias, conseguimos baixar os preços. Como compramos em conjunto e de maneira centralizada em um entreposto, economizamos no frete. Nossas compras são em espaços de tempo menores, por isso conseguimos diminuir a estocagem e a perda de produtos.
Folha Os altos juros bancários atrapalham os negócios do setor?
Tomiotto Atrapalham muito. Mas não só eles; a valorização do dólar e a inflação também são inimigos dos bons negócios no setor. Porque eles são indexados nos preços dos produtos das indústrias e fornecedores, diminuindo a capacidade de compra do consumidor e nossas vendas. Aconselhamos nossos sócios a não utilizarem financiamentos para comprar mercadorias, porque as altas taxas de juros podem inviabilizar nosso negócio.


