Supermercado com ''C'' de consumidor
Há quase quatro anos, mais de 300 executivos das maiores empresas brasileiras da indústria, supermercados, varejo em geral, atacadistas e distribuidores estão transformando a cadeia nacional de abastecimento, colocando em prática as ferramentas da Resposta Eficiente ao Consumidor, conhecida também como ECR (do inglês Efficient Consumer Response).
Até agora, 30% da cadeia de abastecimento já aderiu às tecnologias de ECR, gerando economia de US$ 1,5 bilhão. Mas o potencial de economia é de US$ 4,5 bilhões. Os resultados, concretos e mensuráveis, mostram processos otimizados, empresas eficientes, custos operacionais identificados e analisados, ganhos financeiros derivados da redução de estoques e bens físicos, aumento de vendas e, é lógico, um consumidor melhor atendido a cada dia.
A Associação ECR Brasil, responsável por essa verdadeira revolução envolvendo todos os elos da cadeia de abastecimento, tem oferecido o apoio e o suporte necessários para que mais empresas brasileiras pequenas, médias ou grandes tenham a possibilidade de conhecer e, principalmente, aplicar as ferramentas hoje vitais ao sucesso: Gerenciamento de Categorias, Custeio Baseado em Atividades, Reposição Eficiente, Comércio Eletrônico, Processos Financeiros e Padronização. A meta, pautada na disseminação dessas práticas, é fazer com que nos próximos dois anos, 60% de toda a cadeia esteja praticando ECR.
Numerosas lojas de atacadistas e varejistas em todo o País já promoveram mudanças significativas em função da ECR, e o consumidor também começa a notar essas diferenças. O grau de integração entre indústria e varejo está possibilitando ao consumidor encontrar sempre o produto que procura, de forma rápida, eficiente e com qualidade e com preço menor. Isto é ECR. Porém, o consumidor não imagina que cada compra efetuada gera automaticamente uma série de procedimentos, com reflexos imediatos na indústria, atacadista e distribuidor.
Nas lojas em que a Resposta Eficiente ao Consumidor já é realidade, há uma grande preocupação com o abastecimento contínuo, controle de estoques, procedimentos financeiros para pagamentos e com o comércio eletrônico como forma de integração com parceiros. Nesses estabelecimentos, o problema da falta de mercadorias nas gôndolas vem diminuindo substancialmente, assim como os estoques e custos logísticos. Encontrar todos os itens da mesma categoria (exemplos: pastas de dente, escovas e fios dentais e produtos para higiene bucal; mercadorias para café da manhã; materiais e produtos para churrasco etc) no mesmo corredor não é só uma estratégia para aumentar o desempenho das vendas, mas uma ferramenta eficiente que cria diferenciais competitivos, facilita a vida do consumidor e, de quebra, ainda possibilita conhecer profundamente o seu comportamento, preferências e hábitos de compra.
Nas lojas onde as estratégias da ECR não se resumem apenas ao pensamento de vender mais, mas sim vender o que é mais importante para o consumidor e com isso conseguir sua fidelização, as informações do varejo são transmitidas em tempo real ao fabricante, que, por sua vez, programa de forma ágil a entrega das mercadorias.
Esse nível de detalhamento demonstra o quanto tem sido árduo o trabalho de implantação da ECR, que exige os mais modernos recursos tecnológicos, de informática e transmissão de dados e essencialmente o engajamento de toda a organização. As ferramentas da ECR, sem dúvida, transformam profundamente não só os processos internos de toda a cadeia, mas, em especial, a cultura das empresas, que se tornam realmente parceiras. Eficiência em todos os estágios significa ganho para todos e, o mais importante, respeito ao consumidor.
- CLAUDIO CZAPSKI é superintendente da Associação ECR Brasil





