O ano terminou, mas um velho problema ainda persiste: a superlotação nas carceragens do Paraná. Tema recorrente na imprensa, não é novidade noticiar que cadeias, delegacias e até presídios estão com excesso de presos. Se o atual sistema já pouco atua na recuperação dos apenados, a superlotação só faz piorar o problema. Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública mostram que há um excedente de 5.227 presos nas delegacias. Ao todo são 4.487 vagas.
Apesar do alto número, a secretaria informa que o número de presos foi reduzido em 40%. Segundo o governo, em 2011 eram 16.205; 2012 terminou com 9.714. A meta é abrir 6 mil vagas no sistema penitenciário do Estado até 2014. Para isso, há uma concentração de esforços na implantação das defensorias públicas e também na ampliação do sistema penitenciário. Até o final deste ano, o governo promete criar mais 3.299 vagas. No entanto, está prevista a construção de 14 estabelecimentos penais, em parceria com o Ministério da Justiça, que juntos abrirão 6.350 novas vagas.
Relatório Nacional sobre os Direitos Humanos no Brasil, divulgado no mês passado, afirma que a população carcerária cresceu 112% entre a década de 2000 a 2010. Além disso, o País é o quarto do mundo com maior número de presos, atrás de Estados Unidos, China e Rússia. Outro dado relevante é que no período o deficit de vagas aumentou de 70 mil (em 2000) para 198 mil (em 2010).
É importante zerar o deficit de vagas no sistema carcerário, como promete o governo estadual, porque garante segurança à população e dignidade aos presos. No entanto, somente a construção de presídios não irá resolver o problema da superlotação. Investimentos em educação, em esportes e em atividades culturais e de lazer ajudam a manter as crianças longe das ruas. Além disso, capacitação profissional com boas oportunidades de trabalho podem ajudar da redução da prática criminosa. O problema é de difícil solução e qualquer ação iniciada trará resultados somente a longo prazo.

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