Superlotação: a solução começa fora dos hospitais
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sexta-feira, 22 de novembro de 2019
Folha de Londrina 
A superlotação nos hospitais que atendem ao SUS (Sistema Único de Saúde) é rotina nas principais cidades do País. Mas muitas vezes o problema só ganha visibilidade e atenção do poder público e da sociedade quando uma instituição interrompe o atendimento.
É o caso do Hospital Infantil de Londrina, que suspendeu por tempo indeterminado a realização de cirurgias eletivas pelo SUS, aquelas que podem aguardar por mais tempo. A decisão foi tomada porque a ISCAL (Irmandade Santa Casa de Londrina), mantenedora da unidade, vem acumulando deficit financeiro.
A suspensão não afeta os casos de urgência e emergência. Mas certamente é um transtorno para as famílias e crianças que aguardam na fila para um procedimento eletivo. Em entrevista à FOLHA, o superintendente da ISCAL, Fahd Haddad, revelou a conta que nunca fecha. Mensalmente, segundo ele, o hospital recebe em média R$ 2,2 milhões por mês de um contrato com a prefeitura. Ele prevê em torno de 500 internações, mas a instituição chega a mais de 2 mil atendimentos. Em cinco meses, o déficit chega a mais de R$ 8 milhões.
Os hospitais já reivindicaram ao Ministério da Saúde para aumentar o teto de verba do SUS em Londrina. A solicitação continua sem resposta por parte do governo federal. Em outubro, a Santa Casa também cancelou as intervenções eletivas pelo sistema gratuito.
A superlotação dos hospitais públicos ou beneficentes que atendem ao SUS é um problema crônico em todo o País. A questão começa antes, com a dificuldade da rede de saúde básica dar conta do atendimento e casos mais leves que deveriam ser atendidos nas unidades primárias acabam parando nas unidades de alta complexidade.
É um problema que precisa começar a ser resolvido fora dos hospitais. Privilegiar também a saúde básica para que muitos casos se resolvam antes da complicação e da necessidade de uma cirurgia ou internação. Não só com infraestrutura e recursos humanos, mas também conscientizando a população por meio de campanhas educativas. O desafio é prevenir, cuidar das pessoas e conseguir atender nas unidades básicas os casos de saúde que acabariam lotando as filas de espera e os corredores dos hospitais.
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