Superavit primário
A ampliação da meta do superavit primário - resultado da arrecadação do governo menos os gastos, excluindo os juros da dívida pública - anunciada ontem pelo governo central (formado por Tesouro, Previdência e Banco Central), revela os dois lados de uma mesma moeda. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, além de evitar uma desaceleração da economia, o objetivo seria impedir o aumento de gastos correntes do próprio governo. No entanto, para sindicalistas a medida desestimula o investimento e fortalece a imagem de ''País exportador de commodities''. A avaliação é que o ideal seria reduzir a taxa básica de juros, a Selic.
O governo, de fato, precisa reduzir os gastos públicos. Não é novidade que a máquina pública é extremamente inchada. Nenhuma empresa privada sobrevive no mercado se gastar mais do que arrecada. E este cenário se repete sucessivamente, governo após governo. Conforme o ministro, a meta é ampliar o superavit de R$ 81 bilhões para R$ 91 bilhões, o que equivale entre 0,25% a 0,30% do Produto Interno Brasileiro. Com isso, a meta do resultado primário do setor público sobe para R$ 127,8 bilhões.
O governo precisa adotar uma medida austera para tentar minimizar os impactos da crise econômica mundial no País. A geração de empregos e renda não pode ser interrompida. A economia brasileira está em crescimento e pode sair fortalecida deste cenário, desde que adotadas medidas corretas e no tempo certo. O cenário internacional inspira cuidados porque há indícios fortes de desaceleração econômica nos Estados Unidos, Europa e Japão. Se houver recuo na atividade desses países, certamente sobrarão ''respingos'' na economia brasileira.
No entanto, a sociedade não pode ser penalizada. As indústrias exportadoras já têm sofrido com a supervalorização do real frente ao dólar. Além disso, há a alta tributação sobre a atividade produtiva. Desta forma, os produtos nacionais perdem a competitividade no mercado internacional. Para a população sobram os juros altos - um dos mais altos do mundo - e a inflação que começa a dar sinais. A adoção de medidas que coibam os gastos públicos, sem penalizar a economia, de toda forma é saudável.





