A balança comercial brasileira apresentou um superávit de US$ 6,133 bilhões em agosto, primeiro mês de aplicação do tarifaço pelos EUA.O balanço foi divulgado na última quinta-feira (4) pelo MDI

C (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Segundo os dados, na comparação com o mês de agosto de 2024, as exportações apresentaram um crescimento de 3,9%, mesmo com as exportações para os EUA sendo reduzidas em 18,5%.

No total, as exportações brasileiras somaram US$ 29,8 bilhões em agosto, contra US$ 28,7 bilhões em agosto do ano passado, isso demonstra que o fantasma do tarifaço é uma condição preocupante, mas não é tão assustador quanto apontou o presidente Donald Trump ao aplicar a taxação.

A agropecuária e a indústria extrativista foram os principais responsáveis pelo bom resultado, com destaque para a carne bovina que aumentou para 56% em valor e o ouro que aumentou para 55,9%.

O grupo representado por China, Hong Kong e Macau foi o que mais comprou produtos brasileiros em agosto, com um aumento de 29,9%, de US$ 7,3 bilhões para US$ 9,5 bilhões. A carne bovina liderou este mercado com + 84% de exportações, seguida por óleo e produtos de petróleo (+ 75%) e soja (+28,4).

Se existe motivo para comemorar as boas vendas para os países asiáticos, há também um parceiro que se destaca nas importações: o México cresceu seu volume de compra de produtos brasileiros em 43,8%.

Os números alimentam a expectativa de que é preciso avançar em busca de novos mercados, sempre levando em conta que, na medida do possível, as boas relações com os EUA também devem ser retomadas.

A ideia de fazer um comércio multilateral tem surtido efeito para setores em que o Brasil sempre foi um forte concorrente. Na contramão dessa ideia, há setores em que houve retração, como o madeireiro. Neste setor, a taxação das exportações demandaram, inclusive, demissões em empresas que não suportam o tarifaço norte-americano. Essas empresas não podem escoar, no momento, sua produção para outros países porque isso não implica apenas na busca de novos mercados. As madeireiras, que se concentram especialmente no Sul, esbarram, por exemplo, em tamanhos de paletes e portas já fabricados, que obedecem a padrões norte-americanos e não encontram mercados imediatamente em outros países.

Mas desde que o tarifaço começou a vigorar, em 6 de agosto, a tempestade anunciada parece menor do que se apresentava. O superávit demonstra isso claramente e, no Paraná, há motivos para manter o otimismo.

Em visita a Londrina, esta semana, para participar do 6º Fórum do Agronegócio, o governador Ratinho Junior falou sobre a sanção comercial imposta por Donald Trump: “Para o agronegócio paranaense e até brasileiro, em geral, essa questão do tarifaço dos EUA atinge muito pouco ou quase nada. Na verdade, hoje nós somos concorrentes dos EUA no setor agrícola.”

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