Relatório da Organização Mundial de Saúde chama a atenção dos governos para a prevenção do suicídio. De acordo com o estudo, 804 mil pessoas cometem suicídio todos os anos no mundo - uma taxa de 11,4 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. Entre 2000 e 2012, o Brasil registrou 11.821 mortes, sendo 9.198 homens e 2.623 mulheres. Um aumento de 10,4% na quantidade deste tipo de morte.

Projeto em discussão na Assembleia Legislativa do Paraná pretende instituir a "Semana Estadual de Valorização da Vida", como forma de alertar a população sobre como diagnosticar comportamentos suicidas, prevendo uma série de atividades, palestras e esclarecimentos para possíveis intervenções neste processo. Uma discussão que, mesmo carregada de profundos estigmas, precisa ser feita: até porque é reconhecidamente crescente o papel dos profissionais de Saúde Pública na diminuição deste tipo de ocorrência.

Os dados mostram que o comportamento suicida exige uma abordagem verdadeiramente à altura da importância sociossanitária do fenômeno. E por guardar estreita associação com outros transtornos mentais diagnosticáveis, conclama que as atividades desenvolvidas pela Psicologia Clínica aproximem-se cada vez mais dos espaços possíveis de trabalho.

Várias são as pesquisas sobre o assunto e várias são as possibilidades de intervenção. A principal queixa dos pesquisadores é que é preciso haver maior colaboração entre os setores, como na escola, na família, no contexto acadêmico e nos cursos profissionais da área de saúde mental, com um decidido envolvimento da comunidade.

Famílias inseridas no contexto suicida organizam suas relações em torno de histórias de profundo luto, normalmente construindo sentimentos paralisantes e uma série de complexas crenças de implicações psicológicas, materiais, religiosas e culturais. Os maiores vulneráveis são as próprias pessoas que conviveram com alguém que tirou a própria vida: o impacto de ser "sobrevivente" ao suicídio é um dos principais indicadores de risco futuro. E exatamente por resultar em enorme sobrecarga emocional, é por isso que o comportamento suicida coloca em relevo os impactos pessoais, subjetivos e sociais.

Pessoas que fazem tentativas ou ameaçam se matar, normalmente já apresentam um histórico de ideação suicida. Em verdade, estes comportamentos extremos são indicadores finais de uma longa cadeia de processos que já vêm comprometendo a qualidade de vida e o bem-estar da pessoa. Quase sempre se observa que o risco de suicídio se estabelece a partir de experiências adversas e precoces ao longo da vida, que levam a comportamentos de risco que culminam, normalmente, em desfechos irreversíveis.

Ocorrendo com maior frequência em condições de intenso sofrimento psíquico - como depressão, esquizofrenia, alcoolismo, uso de drogas, etc. - o suicídio surge como solução para uma situação de desespero, desamparo, desesperança, inveja ou abandono, levando o indivíduo a uma necessidade definitiva e imediata de alívio.

Todos estes elementos vem reforçar a concepção de que este é um tipo de morte evitável, haja vista que estes estados tendem a ser tipicamente transitórios: podendo serem transformados por meio de alianças terapêuticas seguras, com escuta ativa e tratamento psicológico adequado.

Ressalte-se também o papel da família, tendo em vista ser ela que tem os maiores recursos para efetuar a mudança. Todas as famílias possuem suas competências e - mesmo que muitas vezes não saibam que as têm, ou não saibam as utilizar - nada disso é impeditivo de que, caso queira e se dedique a procurar ajuda, resolva seus problemas. Uma atenção que deve preconizar uma atitude extremamente empática, acolhedora, para que possam compartilhar seus sentimentos, se sentindo seguros de que não serão julgados.

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