Lula teve sorte. Ter sorte também é virtude. Costuma-se dizer que bons goleiros são aqueles que, além de boas defesas, ainda contam com a sorte. Lula pode não ter feito boas defesas e seu ataque não foi certeiro, a não ser elitoralmente. Mas deu de goleada neste quesito. Por conta do bom bafejo - que compensou imprudências administrativas - termina em alta inusitada. E, convenhamos, merecida.

Lula, venturoso, colheu os frutos de um bom programa de estabilidade econômica, que deu certo depois de longo aprendizado que custou caro aos brasileiros (Planos Funaro, Bresser, Verão, Cruzados 1 e 2 e, finalmente, o Plano Real, no governo de Itamar, consolidado no governo anterior ao do PT). O mérito do atual governo foi contar com um Meirelles no Banco Central que manteve a boa política econômica que herdou. As bases para uma estabilidade duradoura estavam implantadas. Era só seguir o desenho. As condições macroeconômicas foram generosas.

Além disso, o atual governo contou com a expansão da atividade produtiva e um aumento de demanda equilibrado com o ritmo da produção industrial e primária, que impediu a inflação. Não teve um único contratempo como, por exemplo, a atual estiagem. Até o cenário externo foi muito bom - no primeiro mandato - tanto que alavancou economias emergentes. China e Índia explodiram em crescimento; países de economias fracas, em vários blocos, também cresceram. Foram anos de prosperidade. Aliás o Brasil foi o que menos cresceu comparativamente.

A pergunta agora é se o futuro governo terá a mesma sorte. Apesar de crescer e gerar empregos, o Brasil ainda tem a maior taxa de juros e seu deficit em conta corrente, que envolve todas as transações de bens e serviços do Brasil com o exterior, tem aumentado.

Nem sempre projetos populistas suplantam dificuldades como o baixo nível de investimento. O governo e o setor privado ainda investem pouco para sustentar um PIB desejável. E o volume de crédito na economia, ainda é baixo em termos internacionais. Do lado fiscal, a dívida pública líquida cai, mas está acima da média dos países emergentes. E a carga tributária ainda é alta, reduzindo a competitividade das empresas nacionais. O Brasil é um maratonista que compete com uma bola de ferro no pé chamada imposto.

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