Você já imaginou chegar ao topo de uma empresa, naquele cargo tão cobiçado, na função pela qual tanto batalhou... E ainda assim se sentir confuso, insatisfeito e em meio a contradições pessoais e profissionais? Se não imaginou e planeja alcançar o sucesso dentro de uma corporação, é bom começar a pensar no assunto.
  Pesquisa da Fundação Dom Cabral, intitulada ‘‘Contexto dos Presidentes’’, detectou uma série de comportamentos paradoxais enfrentados por CEOs de 40 empresas entre as 500 maiores do País.
  Um exemplo desses comportamentos? Embora expressiva parcela (80%) se sinta orgulhosa de ter atingido o posto máximo, a esmagadora maioria experimenta enorme frustração pelo adiamento, por tempo indeterminado, de projetos e sonhos pessoais.

Pesquisa
  Entre as companhias consultadas, 65% são multinacionais e 35% são de capital nacional. Quanto ao faturamento, 40% apresentam vendas acima de US$ 1 bilhão. Todos os ouvidos são do sexo masculino, 92% são casados e 85% têm filhos. Predominam profissionais na faixa dos 51 aos 60 anos (56%), e apenas 3% estão entre 31 e 40 anos - totalizando 41% os que ficam no grupo intermediário.
  Pós-graduação lato sensu, experiência internacional e inglês fluente são unanimidades - e 77% também se comunicam em espanhol. A maioria já atuou em, no mínimo, quatro empresas, registrando mais de oito anos na função de principal gestor.
  Para um dos coordenadores da pesquisa, o professor Léo Bruno, ‘‘esses profissionais têm parcela de frustrações que têm muito a ver com relacionamentos, sejam eles dentro da empresa ou dentro do contexto social e pessoal. Eles têm de se relacionar com conselhos, subordinados, staff. E esses relacionamentos nem sempre são fonte de alegria. Existem três fontes de frustração: você mesmo, problemas do mundo exterior (como desastres ou morte de alguém) e relacionamentos (dentro e fora das organizações).’’
  Sucesso, poder e status estão entre as razões apontadas por 60% dos consultados como fatores determinantes para que perseguissem a posição de primeiro mandatário.
  ‘‘Eles sempre almejaram mais poder e influência. Mas quanto mais alto se chega, mais isolamento se tem, porque muitas vezes os primeiros a negar os valores corporativos e a identidade daquela empresa são os membros do conselho administrativo, por exemplo’’, continua o professor.
  Uma das conseqüências claras da chegada à função é o alto preço que as responsabilidades cobram. E, muitas vezes, segundo o levantamento, o ‘‘personagem corporativo’’ se sobrepõe ao indivíduo, fazendo com que apareçam problemas como doenças, ausência na vida familiar etc.

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