Curitiba - O senador gaúcho Pedro Simon (PMDB) é o principal articulador da candidatura própria do partido à presidência da República. Ele quer ressuscitar o ''velho MDB de guerra'' e tirá-lo das mãos de quem, segundo ele, só está interessado em atender seus projetos pessoais.

Nesta entrevista o senador explica por que acredita numa chapa liderada pelo governador Roberto Requião e critica os atuais líderes do PMDB: ''A cúpula não tem coragem de reunir o partido num grande congresso nacional, pois sabe que não representa a maioria'', alfineta.

Nas últimas eleições presidenciais o seu grupo tentou lançar a ideia da candidatura própria do partido, sem sucesso. O que essa iniciativa de lançar o Roberto Requião como pré-candidato tem de diferente?
A candidatura própria é um anseio das bases peemedebistas e, afinal, lançar candidato e conquistar o poder é o objetivo fundamental de qualquer partido político. Neste ano foram realizados 24 encontros estaduais do PMDB e todos eles aprovaram moções em favor da candidatura própria. Então, é quase uma unanimidade. Apenas a direção nacional, interessada em atender a seus projetos pessoais e de grupo, está anunciando um acordo com o PT. Ora, se não reuniu sequer a Executiva ou o Diretório Nacional para discutir o assunto, como pode falar em acordo? Para formalizar qualquer aliança eleitoral é necessária a aprovação da convenção nacional. E, hoje, esse grupo não tem maioria para aprovar isso.

O senhor já falou que o Requião precisa ''segurar a boca.'' Isso é possível?
Requião é um dos grandes nomes do PMDB, um histórico do partido. Tem ideias claras e uma avaliação precisa do quadro nacional e internacional. Seu dinamismo e coragem o levam a se exceder às vezes, mas tenho certeza de que o povo aprecia essa sinceridade e, certamente, vai relevar alguns pecados da língua.

O grupo que se reuniu em Curitiba contou mais com a participação de representantes do PMDB dos estados do Sul e do Sudeste. Como trabalhar pela consolidação dessa pré-candidatura no Nordeste? A tendência no Norte e Nordesta não é do PMDB pender para uma aliança com a candidata do PT Dilma Rousseff?
Além de representantes de grandes colégios eleitorais do Sul e Sudeste, estavam presentes e com participação entusiasmada lideranças e dirigentes do partido de Estados como Acre, Espírito Santo, Piauí, Goiás e outros do Centro-Oeste. Na verdade, o partido estava muito bem representado.

Mesmo no Norte e Nordeste o oficialismo passa por dificuldades. Um exemplo é a Bahia, onde o ministro da Integração Nacional, o peemedebista Geddel Vieira Lima, é candidato ao governo contra Jaques Wagner, do PT. Agora, no momento em que se anuncia uma pré-candidatura do PMDB, com um nome forte como o do Requião, três vezes governador, a tendência é que mesmos aqueles que hoje apóiam uma aliança com a candidatura do PT à sucessão de Lula, parem para refletir.

O senhor é considerado um modelo de ética dentro de um PMDB cuja imagem está bastante maculada por escândalos políticos. Não existe o risco de que esse partido que o senhor quer, o velho PMDB de guerra, esteja só no imaginário de pessoas como o senhor?
O problema do PMDB é que o comando foi tomado por um grupo que não tem identidade com a nossa história e as nossas ideias. Porém, a base peemedebista não pensa como esse grupo, os homens e mulheres que formam o PMDB e fazem dele o maior partido do país têm consciência da importância do partido e do papel que ainda poderá vir a assumir nos destinos do Brasil. Tanto é assim que a cúpula não tem coragem de reunir o partido num grande congresso nacional, pois sabe que não representa a maioria.

O senado passou por uma série de crises nos últimos anos, muitas delas ligadas ao PMDB. O senhor acha que o senado se recuperou?
O senado passa pelo seu pior momento, depois de presidências desastradas como a de Renan (Calheiros) e de (José) Sarney. Mas as reformas ainda não foram feitas e tudo parece caminhar para a impunidade pura e simples, como, aliás, é costume no país, onde só vai para a cadeia o ladrão de galinha. No entanto, tenho a esperança de que uma grande mobilização popular possa encaminhar as coisas num outro rumo, na direção da moralidade e da ética, para que possamos legar aos nossos filhos e netos um país mais igualitário, com justiça social e responsabilidade na administração, um país capaz de elevar o povo brasileiro e garantir a todos um futuro melhor.

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