Com mais de 10 milhões de livros vendidos no país na última década, o psiquiatra e escritor Augusto Cury atraiu os holofotes da política nacional ao assinar sua filiação ao Partido Verde (PV) em setembro. O envolvimento dele com a política partidária suscitou rumores de que seria candidato nas próximas eleições. Outro boato recorrente é de que Cury seria o guru da senadora e pré-candidata à presidência Marina Silva, recém-filiada ao PV, que nunca escondeu ser admiradora do escritor.

Em entrevista à FOLHA, Cury, que vai estar amanhã em Londrina para ministrar palestra sobre o projeto Escola de Inteligência, posiciona-se diante das especulações que envolvem seu nome. Ele também fala sobre a inspiração para escrever suas obras e conta por que deixou de ser ateu.

Por que o senhor decidiu entrar na política?
O que me levou a aceitar o convite é um ato simbólico de alguém que está preocupado com as próximas gerações. Minha maior preocupação é poder estimular os meus leitores a entenderem que nós estamos deixando uma péssima herança para a próxima geração. Estou preocupado com o desenvolvimento sustentável.

Pretende disputar algum cargo público nas próximas eleições?
Eu não quero me candidatar a qualquer cargo público, embora alguns membros da cúpula desejem isso. Eu publico em muitos países e não tenho tempo para cumprir 10% da minha agenda.

O senhor está sendo considerado o guru da senadora Marina Silva. O que acha disso?
Isso não tem fundamento. Tive pouco contato com a Marina. Sou apenas um escritor que se filiou ao partido pelo qual ela vai ser candidata. Isso surgiu porque as pessoas começam a criar fantasia dentro de uma realidade que não existe. Quiseram utilizar a minha imagem para associar a Marina. Nosso relacionamento é de amizade e não passa disso.

Em que consiste o seu projeto Escola de Inteligência?
As sociedades modernas estão atravessando uma crise. O nível de agressividade entre pais e filhos, entre alunos e professores e até mesmo entre alunos e alunos tem aumentado muito. A Escola de Inteligência é um projeto desenvolvido ao longo de mais de 10 anos e reúne o pensamento de grandes teóricos.

O projeto visa expandir as funções mais importantes da inteligência, tais como: aprender a pensar antes de reagir, a expor e não a impor as ideias, trabalhar perdas e frustrações, proteger a emoção. Objetiva também o treinamento do caráter por meio da transparência, honestidade, empreendedorismo, solidariedade e tolerância. O projeto consiste em material didático, capacitação dos professores e acompanhamento pedagógico. O objetivo é entrar na grade curricular, com uma aula por semana na qual os alunos terão contato com as funções da inteligência e vão desenvolver a arte do diálogo. A intenção é formar pensadores em uma sociedade em que se forma uma massa de repetidores de ideias.

Então, atualmente, os alunos não são pensadores?
Com raras exceções. No mundo todo multiplicamos excessivamente as informações, mas não multiplicamos os construtores de novas ideias. Estamos na era do fast food intelectual e emocional. Tudo rápido e pronto. O excesso de informação não elaborada produz um estresse cerebral sem precedente.

O senhor é um dos maiores vendedores de livros da atualidade. De onde
vem sua inspiração?
Eu não escrevo para fazer sucesso e sim porque sou um caminhante no traçado do tempo em busca de mim mesmo. Tenho o desejo ardente de dar uma pequena contribuição para a sociedade. Minha inspiração vem pela paixão que tenho pela vida.

Por que deixou de ser ateu?
Fui um dos maiores ateus que já pisou nesta terra. Eu não defendo nenhuma religião, mas eu sinto que crer em Deus é um ato muito inteligente. Uma das pessoas que mais me inspira é a história do mestre dos mestres Jesus Cristo. Eu analisei a história de Jesus para saber se Ele era um personagem fictício ou se Ele realmente andou e respirou nesta terra. Ao fazer isso, fiquei perplexo porque percebi que Jesus não cabe no imaginário humano.

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