Sucateamento do IML
A sociedade grita de medo e pede mais segurança. Geme de dor e solicita mais hospitais, mais leitos, mais médicos. Suplica por mais trabalho, por mais comida, por mais educação, por mais moradia. Para isso, permanece viva e produzindo.
Já os mortos não podem pedir. Precisam de médicos-legistas, de geladeiras, de raio-X, de organização, e de materiais básicos. Necessitam mesmo é de um Instituto Médico-Legal que funcione de verdade. É o que ocorre em Londrina, como a Folha retrata em reportagem no caderno Folha Cidade de hoje. Familiares sofrem com a espera dos corpos de parentes falecidos e se deparam com um órgão onde os funcionários justificam, rotineiramente, falta de condições de trabalho.
O descontentamento é tamanho que até o próprio legista-chefe do IML de Londrina um dos poucos patologistas forenses do Brasil está disposto a abrir mão do cargo e afirma ter chegado ao fim da linha. Junto com ele, os outros médicos do órgão também não pretendem ficar no trabalho.
O lado bom de todo fim de linha é o começo de outra. Que se inicie as obras e as exigências devidas para o funcionamento digno do IML. Que o Estado faça a sua obrigação e comece a se preocupar com os vivos. Que o fim de linha no IML seja somente para quem vai desta para melhor.
Mauricio Della Barba





