Subnutrição intelectual
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de março de 2003
Paulo Cezar Basilio 
Em reportagem recente a Revista Família Cristã publicou dados que revelam o baixo índice de leitura dos brasileiros. Nos países desenvolvidos a média anual registra nove livros lidos por habitante. Essa média cai para 2,3 livros em se tratando do Brasil. Detalhe: atingimos esse índice se levarmos em consideração as publicações didáticas, ou seja, os livros utilizados pelos alunos nas salas de aula.
Essa constatação coincide com outros números ainda mais preocupantes: entre os brasileiros alfabetizados há 74% de analfabetos funcionais, pessoas alfabetizadas mas que não conseguem entender o conteúdo de um livro. Temos, então, a evidência de que a grande maioria dos estudantes que transcendem o universo escolar saem sem ter adquirido uma relação estreita com o mundo das letras.
Em consequência disso enquanto que em outros países há uma livraria para cada 6 mil habitantes, no Brasil contamos com um estabelecimento para cada 85 mil pessoas. Onde os leitores são raros é natural que os postos de venda de livros sejam escassos.
Todos esses dados além de apresentarem a defasagem educacional do país, também nos colocam em alerta para a questão do desenvolvimento sócio-econômico. Se o nosso fracasso na leitura está ao lado de tantos outros fracassos (baixo poder aquisitivo, alto índice de desemprego, miséria...), por outro lado, percebemos que as nações desenvolvidas ostentam uma legião extremamente considerável de leitores e um quadro bastante reduzido em termos de mazelas sociais.
Dessa forma, é urgente um programa que tire os livros da penumbra. Não basta apresentarmos soluções parciais para a problemática da exclusão social. No mundo de hoje, com todos os avanços científico-tecnológicos, a subnutrição intelectual degenera muito mais a pessoa do que a panela vazia, pois a panela pode se encher com medidas governamentais mais simples, ações de caridade e solidariedade humana, mas a fome do conhecimento para ser saciada exige o elevado preço da educação de qualidade.
PAULO CEZAR BASILIO é professor e vereador em Pinhão


