Subir preços, sempre mais rápido que baratear
Os vendedores de material de construção têm suas razões ao dizer que não baixam preços (após a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados) porque não sabem se os fornecedores farão o mesmo nos próximos fornecimentos. Declaram, assim, ficar dependentes deles. O que sempre acontece quando um tributo baixa ou ocorrem outros fatores (como uma redução de preço nas fontes) é a demora para o consumidor ser beneficiado. Já em caso inverso, tudo sobe ao menor aceno.
Essa estratégia é comum no universo dos negócios e tem a marca do oportunismo, que resulta prejudicial para a empresa e para a freguesia, porque esta fica na expectativa e as vendas caem. O diretor da Associação Nacional das Lojas de Material de Construção, Hiroshi Shimuta, diz que as indústrias já deveriam, desde o dia 1º deste mês, ter baixado os preços. E assim os fregueses já estariam sendo favorecidos - a contar-se com o repasse imediato das lojas do varejo.
Em todos os ramos de negócios, fornecedores e varejistas agem vagarosamente se condições se abrem para venderem mais barato. Há uma conservadora resistência em baixar preços, como se isso fosse um sacrifício. Já quando há alguma razão para corrigir preços para cima, isto acontece imediatamente. Ainda não é absorvida pela maioria a realidade sábia de que vendendo a preço mais baixo vende-se mais e, naturalmente, ganha-se mais pelo volume. Com vantagem também para a Receita que, com mais movimento na indústria e no comércio, mais arrecada. Mas também nessa instituição fazendária a mentalidade não é tão avançada. Com menos arrocho nos impostos e até a eliminação de alguns haveria mais sobra para o giro dos negócios e por consequência mais arrecadação. E também mais empregos. Dessa forma a roda do desenvolvimento promoveria uma positiva reação em cadeia. Também há especulação quando ocorre a escassez de um produto. Se isto obedece à denominada lei do mercado, conspira contra o consumidor. Se um produto escasseia, que se venda o estoque pelo preço normal, como sempre foi. Contrariar isto é quebrar um princípio de fidelidade ao freguês e tirar proveito sobre ele, que acima de tudo é o regular filiado do produtor, do fornecedor e do varejista.
No caso do material de construção, Hiroshi Shimuta recomenda baixar o preço mesmo dos produtos que estão no pátio (os que não foram beneficiados pela baixa do IPI), para que haja mais venda e ''porque é uma oportunidade de deixar a loja com fama de barateira''. Posição inteligente em meio à mentalidade generalizada de levar vantagem em tudo.





