Subir impostos, a saída mais fácil
Depois de dizer que o governo não iria surpreender o povo brasileiro com um "saco de maldades", na última segunda-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, convocou a imprensa para um anúncio nada bondoso, principalmente para a classe média. Ele apresentou o pacote de elevação de tributos que deve resultar em uma arrecadação extra de R$ 20,6 bilhões em 2014. O ministro justificou que as ações foram tomadas para reequilibrar a economia "com o objetivo de aumentar a confiança e o entendimento dos agentes econômicos". A esperança do governo é que passado esse primeiro momento mais drástico, o crescimento da economia seja retomado.
A maior parte da arrecadação virá com o aumento do valor do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Confins) sobre os combustíveis e do retorno da Contribuição para Intervenção no Domínio Econômico (Cide), estimada em R$ 12,2 bilhões. Juntos, representarão alta de R$ 0,22 para cada litro de gasolina e R$ 0,15 para o diesel. A mudança começa a valer a partir de 1º de fevereiro.
Na sequência ao anúncio do ministro da Fazenda, a Petrobras informou que vai repassar a variação do preço nas refinarias. Outras mudanças são a elevação de 1,5% para 3% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para pessoas físicas, na tomada de crédito de até 12 meses e o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os atacadistas de cosméticos. Também subiu de 9,25% para 11,75% o PIS/Cofins sobre produtos importados.
Há poucos dias, o governo já havia anunciado outras ações visando melhorar as contas públicas, como as mudanças em benefícios trabalhistas e previdenciários e o cancelamento de subsídios ao setor elétrico. Essas medidas são bastante duras, mas economistas as consideram necessárias para atingir o reequilíbrio fiscal e atingir o superávit primário de 1,2 do PIB em 2015.
O brasileiro começou 2015 sabendo que o ano seria muito difícil e o "pacotaço" anunciado pelo ministro da Fazenda só vem comprovar que a sociedade terá que colocar a mão no bolso para ajudar o País a vencer a crise. Por enquanto, a principal medida tomada foi a elevação de impostos, justamente o caminho mais fácil para o governo federal. Mesmo que Levy negue qualquer "maldade", o problema está em elevar impostos sem cortar os gastos públicos.





