STF e a campanha presidencial
Quem ainda tinha dúvida que o governo Lula vem usando, sem disfarce, a máquina administrativa visando as eleições de 2010 para promover a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pode ficar tranquilo. Até a Justiça está reconhecendo isto. Pasmem! Finalmente, alguém enxergou e reagiu!
Mas não foi o Tribunal Superior Eleitoral. Para a Justiça Eleitoral, deve estar tudo certo, já que não interfere. Foi o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, quem reagiu. Ele sugeriu que a Justiça Eleitoral investigue a viagem de três dias do presidente Lula e da ministra Dilma Rousseff - acompanhados de assessores e aliados - às obras de transposição do Rio São Francisco, dias atrás.
O ministro Gilmar Mendes disse o seguinte: ''O órgão competente de Justiça tem que ser chamado para evitar esse tipo de 'vale tudo'''. E faz a seguinte pergunta: ''É lícito transformar evento rotineiro de governar em comícios?''.
Mas o ministro está sendo generoso. Só a ''inspeção'' das obras do São Francisco tem apelo político? Afinal, a julgar pela mídia, o Palácio do Planalto respira política, pensa política, almoça política e janta política. Política no sentido eleitoral, com seus acertos e barganhas.
O ministro Gilmar Mendes resolve se pronunciar sobre a viagem - por enquanto apenas verbalmente - talvez porque a ''inspeção'', pela sua gastança e barulho, tenha sido um ponto mais saliente da campanha.
O único consolo, diante dessa movimentação toda, é que nas suas andanças a comitiva presidencial movimenta comércio local. Cidades pequenas devem ter seu PIB elevado a cada passagem. Ou cada descerrar de placas, a cada corte de fita simbólica.
Irreverente, um assessor de Lula sugeriu que o presidente do Supremo só se manifeste nos laudos.
E a oposição? Dá pena da oposição no Brasil. Quando fala, o faz timidamente. Lula não é o primeiro nem será o último a fazer campanha política utilizando a estrutura governamental. Se pelo menos inaugurar obras de interesse social, a sociedade certamente releva e contemporiza sua indignação. Difícil é quando a obra não passa de uma marolinha ou quando se trata de uma simples ''inspeção''.





