A violência enfrentada diariamente pelos brasileiros, de fato, atingiu níveis epidêmicos. Informações do Atlas da Violência 2016, divulgados ontem, apontam que o total de homicídios ocorridos no Brasil representa mais de 10% dos crimes desse tipo registrados no mundo. Em 2014 (ano utilizado para a compilação dos dados) ocorreram 59.627 assassinatos e, portanto, o maior número de casos em números absolutos.
As Organizações das Nações Unidas classificam como epidêmica a situação de locais onde a taxa registrada é superior a 10 homicídios por 100 mil habitantes; no Brasil, a taxa obtida é de 29,1 por 100 mil habitantes. Os números por si só são bastante alarmantes para não serem considerados. Indicam claramente também que a segurança pública deve ser tratada como prioridade pelos governos até mesmo porque há um grupo muito mais suscetível a esse tipo de ação: o de jovens negros.
Naquele ano foi registrado crescimento de 18,2% na taxa de homicídio de negros e pardos, enquanto houve redução de 14,6% na taxa de pessoas brancas, amarelas e indígenas. Os índices sugerem que o Brasil não tem conseguido proteger essas pessoas. A cor da pele não pode ser fator preporente em estatísticas como essa. E, por isso, é fundamental o desenvolvimento de políticas públicas que promovam mais uniformemente o desenvolvimento social desse grupo. O Estado não pode continuar omisso frente a ocorrências como essas.
O desenvolvimento da população tem que ser igualitário até mesmo porque a Constituição garante que todos são iguais. É preciso fazer valer esse direito e, para isso, deve-se pressionar por programas mais efetivos. É claro que a violência não se resume a atuação policial ou a ações de segurança pública. A solução carece de investimentos em educação, principalmente. Enquanto esses jovens não tiverem mais oportunidades dificilmente essa estatística será revertida.

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