Status de área livre da febre aftosa: proposta equivocada
Refletindo a apreensão dos produtores, as lideranças do setor reagem contrariamente ao pleito formalizado em abril pelo governo do Paraná ao Ministério da Agricultura no sentido de revisar o status de risco do Estado para a febre aftosa.
O objetivo das autoridades estaduais é obter o reconhecimento de área livre da doença sem a necessidade de vacinação. Caso o Ministério dê o aval, os criadores paranaenses deixariam de vacinar seus rebanhos no segundo semestre, mas só se conseguiria o status conferido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) em março de 2017.
A justificativa do governo do Estado é que há dez anos não se registra nenhum caso de aftosa em terras paranaenses. E, também, que não tem havido ocorrências em Estados e países vizinhos, à exceção apenas do Paraguai, em 2011.
É preciso reconhecer: o Paraná, isoladamente, não tem como assegurar que essa conquista seja mantida por muito tempo. Mergulhado em uma dramática crise financeira, o Estado enfrenta uma série de dificuldades que colocariam em dúvida a sua capacidade de lidar com o patamar reivindicado. Basta lembrar que o mesmo demandaria investimentos em novas estruturas e equipamentos, sobretudo na área de fiscalização, a fim de garantir que não haja a entrada de animais de regiões não detentoras do mesmo status.
Mas a preocupação de produtores e lideranças pecuárias se prende, também, a outros motivos:
- Em primeiro lugar, porque o pleito que se pretende levar à Organização Mundial de Saúde Animal, começa mal: por não espelhar a vontade dos produtores e de suas lideranças, perde argumentação, deixa de ser representativo e legitimidade;
- Segundo, porque isto deveria ter sido feito em uma ação conjunta com outros Estados Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo os quais exibem um quadro atual de sanidade muito parecido com o do Paraná;
- E, terceiro, porque se o Estado alcançar o seu objetivo e conquistar o status de área livre sem vacinação, isto soará como um tiro no pé, pois atualmente grande parte dos pecuaristas abastece suas fazendas com gado trazido de estados vizinhos, notadamente o Mato Grosso do Sul. Ou seja, seriam criadas dificuldades para pecuaristas, sem esquecer os frigoríficos locais, pois não seria possível trazer bois de regiões que não detêm o mesmo status.
Finalmente, estamos falando de uma enfermidade que, em 2005, mesmo diante de uma suspeita não confirmada, custou algumas milhares de cabeças que precisaram ser abatidas e, durante anos, afugentou mercados compradores da carne paranaense, causando o fechamento de plantas frigoríficas e desempregando muitos trabalhadores.
Não foi nada fácil reconquistar a confiança dos importadores, mas será rápida a perda de credibilidade, com suas consequências desastrosas para a economia do Estado, caso não haja compatibilidade e coadunação de esforços entre as demandas da cadeia produtiva e os interesses de setores governamentais.
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