Esta é para recortar, guardar e cobrar em outubro, quando as urnas forem abertas. Mantida a ordem do Tribunal Superior Eleitoral de obrigar as alianças regionais a seguirem o modelo da coligação nacional e a candidatura da governadora Roseana Sarney à Presidência da República, o PFL perderá o status de grande bancada. Pelo menos na Câmara, fará, na hipótese mais otimista, 60 deputados. E isso se rezar muito para chover votos!
As contas foram feitas pelos próprios pefelistas em alguns Estados. Em São Paulo, o partido tem hoje 11 deputados federais. Os mais animados calculam que elegerá quatro. No Rio de Janeiro, elegeu nove em 1998. Se dois ou três conseguirem regressar ao Parlamento, será lucro. No Mato Grosso, o PFL elegeu um deputado em 1998. Corre o risco de ficar sem nenhum.
Afinal, quem não se lembra de Dante de Oliveira, o homem da emenda das diretas? Filiado ao PDT, ele obteve uma votação expressiva, mas o partido não conseguiu atingir o coeficiente eleitoral. Nem é preciso ir tão longe. Paulo Octávio obteve 30 mil votos em 1994 pelo PRN. Acabou fora da Câmara pelo mesmo motivo. Não atingiu o coeficiente eleitoral.
O PFL sempre fez grandes bancadas colado em outros partidos e no governo. Na eleição passada, em 1998, só disputou sozinho nas eleições proporcionais de dois Estados. No Acre, seu puxador foi o homem da motoserra, Hildebrando Pascoal. No Pará, foi Vic Pires Franco, o relator da emenda da reeleição.
Desta vez, todos os seus antigos parceiros nas coligações estaduais para a eleição proporcional já estão comprometidos. O PTB com Ciro Gomes (PPS). O PMDB está com o PSDB, numa aliança prestes a agregar ainda o PPB do governador de Santa Catarina, Esperidião Amin. Dos líderes do PPB, apenas Paulo Maluf não mantém hoje um diálogo com o candidato José Serra ou seus coordenadores de campanha. Para completar, dos 105 deputados pefelistas eleitos em 1998, apenas nove tiveram votos suficientes para chegar ao Congresso sozinhos, quatro na Bahia, dois no Maranhão, um em Pernambuco, e outro no Paraná.
Por isso, os deputados do PFL estão perdidos. Uns em acenos desesperados a Ciro Gomes (PPS), outros ao PSDB. Falam em desistir de Roseana. As contas mostram que Roseana, sozinha, não faz verão. Nem o PFL. Sozinho, o partido pode chegar a janeiro de 2003 à beira de um longo e tenebroso inverno.
DENISE ROTHENBURG é jornalista em Brasília

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