Sou torcedor do Tubarão
No dia 1º de fevereiro, um domingo à tarde, levei meu filho a uma festa de aniversário. Era dia de jogo do Londrina, no Estádio do Café. Lá, um porteiro e um segurança estavam grudados no rádio, torcendo pelo Tubarão. A todo o momento, passava por eles para pedir informações sobre o andamento da partida. Esse episódio me levou a refletir sobre declarações do gestor do LEC, Sérgio Malucelli, a respeito do "verdadeiro torcedor do Londrina". Em retrospectiva, me lembrei das minhas primeiras idas ao Estádio do Café e ao Vitorino Gonçalves Dias. Aliás, como era gostoso assistir jogos no VGD. A sensação de proximidade era incrível. Mas concordo que, para o tamanho do time, o VGD é pequeno, e hoje, sou muito mais o café. A primeira grande emoção foi em 1992, quando acompanhei os jogos da final do campeonato que levaria o Londrina a ser campeão paranaense. Angústia, aflição, medo e... alegria.
Lembro também que, logo quando comecei a namorar aquela que seria minha mulher, a levava, com certa frequência, ao Estádio do Café. Muitos jogos pela Série B e, em mais de uma oportunidade, o Tubarão bateu na trave, quase subindo para a Séria A. Depois, o time foi caindo de produção. Frequentou a segunda divisão do paranaense e, como torcedor teimoso, fui a diversas partidas, algumas com menos de cem torcedores na arquibancada. E, para minha tristeza, e de muitos londrinenses, o time quase desapareceu.
A salvação veio por meio da opção pela gestão, e do entendimento de que o futebol é também negócio, e um produto a ser consumido. E com isso, o Tubarão retorna. Sobe da segunda para a primeira divisão do paranaense. Torna-se campeão do interior e, em seguida, campeão estadual. E o mais importante: acesso para a Série C do Brasileiro. Dessa vez, ouvi os jogos pelo rádio e vi a final pela TV pois, com filhos pequenos, fico impossibilitado de ir ao estádio. Mas já prometi a eles que, assim que puderem, vou levá-los ao Café para assistir aos jogos do Tubarão.
Voltando ao início, sou torcedor do Londrina Esporte Clube, assim como outros muitos que, por algum motivo, se veem impossibilitados de frequentar o estádio, nesse momento: profissionais que trabalham na hora do jogo, pais que precisam cuidar de seus filhos, pessoas com dificuldade de locomoção, outras com dificuldades financeiras. Sou daqueles que não perdem um jogo, acompanham os programas esportivos locais, buscam informações na internet e consomem produtos do Tubarão. Afinal, o futebol não vive apenas da partida, mas do ambiente que se forma em torno dela. Visando chamar atenção dos jovens para o time, ao escrever o livro infantil "As Aventuras do Gato Caixeiro nos Museus de Londrina", distribuído para as escolas municipais da cidade, dediquei a parte final do mesmo ao Tubarão. Afinal, faz-se necessário investir nas gerações futuras.
Temos, porém, que considerar que há ainda uma parcela que precisa ser despertada. Lembremos que o futebol é um negócio, e também um produto a ser consumido. O que levaria uma família ao estádio? O espetáculo, sem dúvida, mas não apenas isto: conforto, segurança, tratamento adequado, preço justo e respeito são elementos a serem considerados. E marketing, que faz parte do negócio. O time do Londrina vem de um histórico de dificuldades, que está se recuperando e, certamente, vai despertar a paixão adormecida no coração de muitos torcedores. O que, aliás, já está acontecendo.
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