SOS para o Aeroporto de Londrina - Marcelo Teruaki Kawano
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de outubro de 1998
Marcelo Teruaki Kawano 
É inadmissível que Londrina, a terceira maior cidade da região Sul do Brasil, de respaldo nacional e internacional de crescente industrialização, venha sofrendo com tamanha deficiência em sua infra-estrutura aeroportuária.
Esta questão se agrava em se tratando de equipamentos básicos para coordenação e auxílio à navegação aérea. O equipamento de navegação NDB é obsoleto para os dias de hoje. Ele trabalha emitindo sinais em frequências inferiores ao VOR (em AM), sendo assim mais suscetível a interferências do mau tempo e de condições atmosféricas adversas.
Outro problema é que as tripulações das aeronaves, quando vão realizar o pouso por instrumentos, terão que acompanhar paralelamente o rumo do avião com a carta de navegação aérea - instrumento importantíssimo dotado de apontamentos de velocidade, altitude e rumo, ao qual os pilotos têm que seguir com a maior precisão possível. Já com o VOR, o piloto já tem em seu painel eletrônico no visor digital o rumo do avião, o que facilita e muito o procedimento de pouso por instrumentos, além de ser menos suscetível a interferências, pois trabalha com frequências próximas das de comunicação entre os controles e as aeronaves.
Como Londrina opera uma média diária de 42 vôos regulares - média superior que a de Campo Grande (36) - já se justificaria a instalação de um equipamento mais avançado do tipo ILS-I para uma maior precisão nos pousos IFR (instrumento) nos dias de mau tempo - que predominam em duas estações do ano, sem contar com a drástica redução nos mínimos de altitude e visibilidade que este equipamento proporcionaria.
A ampliação da pista de pouso 13/31 de 2.100 para 2.400 metros é um grande passo, pois dará melhor suporte para a operação de aeronaves de maior porte como os 767-200/300ER, DC-10 e Airbus A310-300 nos meses de maior pico como já vem acontecendo. Essa obra corrige os 300 metros perdidos na cabeceira 13 para os pousos devido a construções (edifícios) na trajetória de aproximação final para a referida cabeceira. Uma extensão de 2.750 metros e um ILS-1 na cabeceira 31 seriam ideais para a cidade, pois com a crescente industrialização de Londrina e região, o aeroporto poderia receber até os Boeing 747s cargueiros, mais conhecidos como Jumbo.
Se a necessidade de ampliação da pista fosse o real problema do aeroporto, acredito que isso já estaria resolvido. O grande problema do aeroporto londrinense está em suas edificações. Quem pode confirmar isso são os 1.000 passageiros diários que em média transitam pelo terminal de passageiros que há tempos está totalmente saturado.
Em dia de operação visual, com todos os vôos on time, até que é suportável transitar pelo prédio, excluindo a sala de embarque e a de desembarque - minúsculas para 100 passageiros. Nos dias de mau tempo e tempo instável, somente com o atraso de alguns vôos o prédio se torna um caos. Perguntem a qualquer funcionário do aeroporto a situação em que ficaram os dois pisos do prédio quando saíram ou chegaram os vôos fretados para os EUA em julho deste ano - indescritível. E, também, com o crescimento do movimento de passageiros e de aeronaves, o pátio de estacionamento e manobras de aeronaves ficará brevemente pequeno para tanto avião.
São para a solução de todos esses problemas que as autoridades responsáveis pelo aeroporto e os representantes governamentais da região deveriam lutar por melhores soluções e agilização dos trâmites burocráticos priorizando o bom senso.
O projeto do novo terminal de passageiros é muito bonito, superior e moderno. Este projeto deveria ser colocado em regime de urgência para a sua concretização, juntamente com o de substituição do arcaico NDB, que nos EUA será abandonado nos próximos três anos, por um equipamento de maior precisão. Sob essas condições, um novo VOR seria a melhor solução, adicionado a uma nova extensão de pista, tanto quanto um novo aeroporto para os merecedores passageiros desta região.
- MARCELO TERUAKI KAWANO é estudante em Barreiras (BA)


