A entrevista do técnico em finanças pessoais, Luiz F. Soares (pág.3, 4/03 - ''Consumo em excesso gera desorganização financeira'') é um serviço ao leitor, mas o motivo da entrevista sugere reflexão. Um misto de autoritarismo e arrogância institucionais permeia o Estado brasileiro e contamina o agente público. O desfecho do caso Sanepar X Chácara São Miguel, esta semana, em Londrina, poderia ser exemplo. A postura do Poder Judiciário no trato com as pessoas simples também. Mas vamos ficar na questão tributária.

O administrador público gere mal as contas públicas e os governos, todos, são useiros e vezeiros em dar calotes. Do menor município ao Planalto, o Estado brasileiro é fantasticamente caloteiro. Mas, agora, deu de imiscuir-se no varejo dos gastos pessoais. A pretexto de combater a sonegação, vai exercer um controle mais rigoroso sobre as finanças pessoais do contribuinte. Diz a notícia: ''As pessoas terão que fazer um planejamento financeiro (defensivo?) porque a Receita está atenta aos gastos com cartões de crédito, despesas médicas e todo tipo de movimentação. A melhor maneira de evitar problemas com o fisco é agir de forma correta com as finanças no dia a dia.''

Estamos ingressando no Primeiro Mundo da tributação equânime e da justiça tributária? Ilusão. Rapinagem tributária só com o cidadão comum. Algum dia alguém leu uma notícia sobre tributação dos mensalões (tanto o do PT como o do DEM). Nem poderia porque o transação é clandestina. Mas algum dia tanto os dólares da cueca como os reais que engordam pares de meias, vão cair na conta de alguém. O fisco poderia vir a público e explicar como isso é escamoteado. Mesmo que por uma missão didática e não, necessariamente, uma prestação de contas.

O que se vê na realidade é outra coisa; é o governo atiçando o leão do IR sobre as presas fáceis, afinal tributar na fonte e rastrear cartões de crédito são algo que está na mão. Parece claro, que gastanças, má gestão, desperdícios, salários acintosos no TJ e Judiciário e algo mais são protegidos pelo Estado autoritário. Além de tudo isso, o cidadão que produz - na condição de empregado ou empregador - às vezes tem que conviver com um setor público que cria dificuldade para vender facilidade, como se costuma dizer na esfera municipal. Tudo isso tem amparo no autoritarismo estatal.

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