Max Rosenmann
Nas últimas semanas, uma série de acontecimentos mostrou que o Paraná está chegando a um momento de inflexão em sua história recente, prenunciando uma onda de renovação na área política. Renovação que deve começar mais claramente nas eleições municipais de outubro próximo, e culminar na disputa pelo Palácio Iguaçu, em 2002.
A desistência do prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PFL), em disputar a reeleição; o aumento das tarifas do pedágio determinado pela Justiça; o agravamento da situação financeira do Estado e da Prefeitura de Curitiba são sintomas de que está se esgotando o ciclo do grupo liderado pelo governador Jaime Lerner. E tudo indica que está chegando ao fim a hegemonia pefelista no Estado, e que esse ciclo deve ser substituído por um novo projeto político comandado pelos atuais partidos de oposição.
A reação do governador, que se limitou a ‘‘lamentar’’ a decisão da Justiça sobre o reajuste de 116% nas tarifas do pedágio mostra que o atual governo não tem mais forças para reagir diante das dificuldades e está sem rumo. Até porque a decisão da Justiça era perfeitamente previsível, diante da ação do próprio governo, que unilateralmente determinou a redução das tarifas às vésperas da eleição de 98.
O próprio secretário dos Transportes, Heinz Herwig, reconheceu a falta de rumo, durante pronunciamento no Fórum do Pedágio, realizado no dia 18 em Curitiba, quando não soube responder à pergunta sobre ‘‘aonde vamos’’ neste governo.
O crescimento da dívida pública do Estado, que chegou a quase R$ 10 bilhões; o desmonte da Copel e da Sanepar; a privatização do Banestado; a antecipação da cobrança do IPVA; e o atraso no pagamento de férias dos funcionários públicos são alguns dos fatores, que demonstram a falência do modelo administrativo adotado pelo atual governo.
Problemas que se tornam ainda mais graves quando se constata a ausência de obras de vulto. A prometida ampliação e modernização do Porto de Paranaguá, por exemplo, ficou apenas no papel. Acrescenta-se a isso a suspensão no pagamento de empreiteiros e fornecedores do Estado; o inchamento das grandes cidades pela falta de um plano de desenvolvimento do interior.
A decisão do prefeito Cassio Taniguchi de adiar a discussão de projetos considerados ‘‘polêmicos’’, e desistir da construção do metrô elevado demonstra que a crise do modelo adotado pelo grupo lernista chegou também à Prefeitura de Curitiba. O abandono do projeto do metrô acontece por absoluta falta de crédito da atual administração, que como revelou o Banco Central, transformou a Prefeitura de Curitiba na terceira mais endividada do País.
Apesar do panorama difícil, não há motivos para duvidar da capacidade do Estado em se recuperar. O povo do Paraná está bem. Quem está mal é o governo, que age como um navio à deriva.
O primeiro passo para virar esse jogo será dado através da eleição de novos prefeitos. Os eleitos servirão de base para a construção de uma frente de oposições liderada pelo senador Alvaro Dias. Dentro dessa conjuntura, o PSDB aparece como a principal alternativa de poder e de projeto político para recolocar o Paraná no caminho do desenvolvimento. O partido já tem hoje a maior bancada federal do Estado, e candidatos que lideram as pesquisas para as eleições municipais nas principais cidades paranaenses.
Os ventos da mudança não podem ser contidos por jogadas de marketing. O povo não se deixa enganar por projetos pirotécnicos que não têm nada a ver com sua realidade. A população paranaense, com a seriedade e o senso crítico que a caracterizam, saberá na hora certa avaliar quem merece a sua confiança, e qual projeto político é melhor para o Estado.

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