O novo presidente da Sercomtel, Mário Jorge de Oliveira Tavares, administrador de empresas e especialista em telecomunicações, tem uma história antiga de serviços à empresa. Foram 35 anos de dedicação até a aposentadoria, há três anos. Convidado pelo prefeito interino, José Roque Neto (PTB), ele retorna ao trabalho com muitas ideias e o desejo de fazer a Sercomtel crescer. Em entrevista à FOLHA, fala sobre privatização, competitividade, investimentos e mudanças.
O senhor acabou de assumir o cargo de presidência. Já está ciente de toda a situação da Sercomtel?
Razoavelmente. Tive uma reunião com alguns diretores durante a semana e eles me deram uma visão corrida de tudo. Estou longe da empresa há três anos e pode parecer pouco, mas tecnologia muda muito. Na verdade nunca estive afastado completamente do setor porque sou consultor de telecomunicações.
Em 2007 o senhor deu uma entrevista à FOLHA como consultor e se mostrou contrário à venda da Sercomtel. Hoje sua opinião continua a mesma?
Mais do que nunca sou contra a venda. Claro que o processo de privatização das telecomunicações, que aconteceu de forma internacional em muitos países, trouxe a explosão de terminais de telefonia móvel e fixa, uma procura maior dos serviços, houve convergência tecnológica e tudo isso foi muito positivo. A qualidade dos serviços no Brasil na época das estatais era muito ruim, principalmente depois do início da democracia, com o loteamento dos cargos. A Sercomtel é a única empresa que sobreviveu com uma diretoria mista (unindo empresas privadas e governo). Houve um tempo que eu até era a favor da venda de parte de telefonia móvel, mas hoje sou contra qualquer venda. Não é mais época para isso. Fomos a primeira empresa a possuir centrais remotas operadas por fibra ótica e também a primeira a ter 100% da nossa planta digitalizada. Já oferecemos o serviço de telefonia, internet e TV a cabo em pacotes promocionais. Somos pequenos, mas somos bons. Estamos em primeiro lugar no ranking das empresas com menor número de reclamações por porcentagem de clientes junto a Anatel.
Mas a Sercomtel não tem medo de empresas grandes que têm surgido no mercado, principalmente em telefonia móvel, e investido pesado em propaganda e promoções?
Não porque elas investem apenas em propaganda e aparelhos de graça. Com isso realmente não podemos concorrer. Mas temos uma coisa que os outros não tem: atendimento diferenciado, planos diferenciados. Sempre que algum concorrente surge com alguma coisa nova na área de serviço, logo damos um jeito de neutralizar isso. Por sermos pequenos, conseguimos nos organizar rapidamente, nos adequar. Não importa a quantidade, mas a qualidade. Se nosso cliente tiver um problema, ele sabe onde vir pessoalmente. Em uma empresa grande, ele vai aonde? E na verdade a Sercomtel não é tão pequena. Temos quase 95% da telefonia fixa de Londrina e mais de 25% da celular. E operamos em 12 cidades nas regiões de Londrina com todos os serviços e Maringá com banda larga e televisão a cabo.
A portabilidade não representou perda de clientes na telefonia fixa?
Em um primeiro momento todos perderam porque quem estava insatisfeito migrou. Como nos planejamos rápido para saber porque estávamos perdendo assinantes, montamos um plano de ação e começamos a ganhar clientes. Acredito que as pessoas só dariam importância para a Sercomtel no momento em que a perdessem.
Qual a maior importância em manter a empresa na cidade?
A quantidade de impostos que são recolhidos e que ficam na região é enorme. Se você tem uma empresa internacional, esse dinheiro vai para fora e o país empobrece. Tudo que a Sercomtel faz, ela investe na cidade, em programas sociais, empregos.
Quais os planos para a Sercomtel durante a sua gestão?
Pretendemos aos poucos avançarmos nas principais cidades do norte do Paraná com telefonia fixa e internet. Queremos também dar uma satisfação à sociedade de tudo o que estamos fazendo com relação aos serviços feitos e oferecidos para os clientes. Queremos investir em tecnologia e atendimento. Já temos a tecnologia 3.5G, que é melhor do que a 3G pela velocidade de internet. Você venderia uma empresa dessas? Eu não.
Existe um plano imediato para melhorar o atendimento?
Temos um quadro de funcionários maduro. É preciso incentivar esse pessoal mais maduro a se reciclar. E também queremos absorver do mercado profissionais novos, para haver uma oxigenação do quadro de pessoal. Isso provavelmente não será feito na nossa gestão, que será curta, mas deve acontecer.
O senhor realmente acredita que ficará no cargo apenas por alguns meses, até que se resolva a situação do prefeito?
Eu faço de conta que não vou ficar pouco tempo. Assim vou trabalhar. Já pedi estudos de metas a longo prazo. Temos muita coisa para melhorar, como plataformas da telefonia fixa que podem ser implantadas na telefonia móvel. Mas isso não posso dizer para o concorrente não copiar nossa idéia.
O que se pode esperar de sua gestão?
Quero que tenhamos uma empresa transparente, focada verdadeiramente nas aspirações e necessidades dos clientes. Por isso pretendemos aprimorar o atendimento nas lojas, no call center, oferecer novos serviços nas telefonias.
É seu desejo continuar no cargo depois de uma mudança na prefeitura?
Quero ajudar a Sercomtel de alguma forma. Trabalhei 35 anos aqui, minha formação em telecomunicações eu devo à Sercomtel, amo a empresa. Gostaria de ficar mais sim. Mas acho que poderei responder a essa pergunta melhor daqui algum tempo.

mockup