Somos 6 bilhões - Editorial
Somos 6 bilhões
No começo de outubro, o mundo vai atingir o total inédito de 6 bilhões de habitantes, segundo confirmam as estatísticas. O crescimento da população na face da Terra atingiu índices cada vez mais altos, efeito sem dúvida da própria evolução do conhecimento humano, que permite que as previsões de vida se tornem sempre maiores, ao tempo em que todo o arsenal médico implica em um aumento no total de nascimentos. Ainda que se perceba que esta elevação seja bem mais patente nas regiões menos desenvolvidas, isto não impede o aumento populacional em um nível sempre crescente. De fato, há quem antecipe que esta realidade vai continuar, ao menos nos primeiros anos do próximo século. Alguns especialistas no assunto, mais pessimistas, antecipam o caos. Outros, mais otimistas, acreditam que o equilíbrio poderá ser estabelecido na medida mesmo em que cresce a capacidade humana. O que acontece em países mais desenvolvidos, que registram avanço populacional zero, reforça este raciocínio. De qualquer modo, é certo que o desafio mais sério é o de alimentar esta crescente população.
Segundo as cifras da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), publicadas no boletim Perspectivas da Alimentação, divulgado este mês, 37 países padecem de carência alimentar e o número de pessoas que precisam de ajuda aumentou em relação ao ano passado. Os problemas se avolumaram em consquência das condições climáticas desfavoráveis, aos conflitos sociais e às dificuldades econômicas crônicas. A ajuda alimentar concedida em 1998 e em 1999 alcançou os 9,5 milhões de toneladas, 3 milhões de toneladas superiores à distribuída no ano anterior. Trata-se da maior ajuda entregue desde 1993-1994, diz o informe.
A África é o continente mais afetado pela carência alimentar, enquanto que cinco países da Ásia e Oriente (Afeganistão, Bangladesh, Coréia do Norte, Jordânia e Síria) e três latino-americanos (Haiti, Honduras e Nicarágua) sofrem grave escassez de comida. A falta de alimentos alcança também vários Estados da ex-União Soviética e dos Bálcãs.
A produção mundial de cereais deverá chegar a 1,87 bilhão de toneladas em 1999, o que representa uma melhoria em relação às previsões publicadas em junho. O aumento se deve às boas colheitas na Ásia e América do Norte. Entretanto, mesmo se as previsões se cumprirem, a produção de cereais será inferior em 0,7% à do ano passado e em 18% em relação à produção recorde de 1997. A produção mundial de cereais não poderá cobrir o consumo total, o que obrigará ao uso das reservas, que já estão escasseando. A alternativa, então, aponta naturalmente para o trabalho de aumento da produção.
A Terra tem como alimentar, nutrir e manter os 6 bilhões de habitantes previstos para o próximo mês. Mas precisa se dedicar a isto, tem que direcionar esforços para aumentar a produção de alimentos e aproveitar todo o seu potencial. Países como o Brasil, ainda longe de atingir o máximo de sua capacidade, representam o grande trunfo para enfrentar este desafio. No caso brasileiro, o que desponta é possibilidade fantástica que o País tem de superar as atuais dificuldades e se tornar a potência mundial capaz de alimentar seus filhos e o mundo. Mas isso depende de grandeza de ações e princípios. É preciso uma política corajosa e eficiente no sentido de se aproveitar adequadamente este potencial, que representará a resposta a um problema mundial e, também, aos anseios mais justos de resgate de uma população que está pronta a assumir seu papel na entrada do novo milênio.





