Som alto é também culpa dos fabricantes
Sons altos poderiam ser atenuados se os fabricantes dos aparelhos começassem por limitar o potencial de suas emissões. A poluição sonora, sabidamente, causa problemas nos ouvidos e leva à surdez. Ontem, neste Jornal, uma advertência de especialistas enfoca mais uma vez o perigo dos sons acima de 85 decibéis. Recomendações não faltam às pessoas para que se protejam, mas poucos se ocupam de condenar os exageros de quem fabrica aparelhos com potência prejudicial. E não apenas com relação ao som mas também com outros bens, como só citando um dos casos a excessiva velocidade que um veículo automotor pode desenvolver se a legislação estabelece a necessária limitação nas estradas.
No caso do som, os aparelhos em moda como iPod, Mp3, Mp4 e rádio acoplado ao celular são capacitados para emitir som de 100 a 110 decibéis, e indaga-se porque as normas não proíbem esse exagero. Se tais equipamentos são na maioria importados, o caso é de pensar-se em padrões mundiais, estabelecidos por convenções, como já ocorre com muitas coisas. Porque o problema de aparelhos com som altíssimo é geral e afeta as pessoas de todas as nacionalidades. A advertência ontem publicada diz que os próprios fabricantes estão alertando os usuários quanto à sujeição a danos de audição. Mas melhor eles fariam se produzissem aparelhos compatíveis com o que os ouvidos suportam. Se há rigor com outros produtos que oferecem perigo, por que não com estes? Os médicos-otorrinos recomendam bom-senso às pessoas, porém eles têm autoridade para propor o bom-senso, primeiro, às fábricas. Será preciso uma cruzada mundial desses especialistas, por via de suas associações, propondo os limites.
Enquanto a voz humano tem 50 a 60 decibéis, a buzina de um carro tem 100, portanto 15 acima do limite suportável por uma pessoa, e o escapamento de uma motocicleta emite som de 120 decibéis. A tecnologia dispõe de recursos para diminuir o volume, mas nenhuma legislação impõe regras aos fabricantes. Os modernos automóveis, ao menos, já têm baixo ruído. Se este cuidado já é resultado de uma conscientização das indústrias, pode-se fazer o mesmo com o ruído das buzinas e das motos.
O som das discotecas chega a 100 decibéis e o das bandas de rock a 110. Se houver policiamento intensivo, amparado por lei, esses sons deveriam ficar, no máximo, nos 85 decibéis suportáveis. E não perderiam qualidade. Também nas festas sociais o som das orquestras e bandas exageram no som. Cada município pode estabelecer os limites, e os fabricantes de instrumentos do gênero sabem que podem e devem cooperar para a causa da proteção auditiva das pessoas. Afinal, se servem delas.





