Soluções para a questão do lixo
Os administradores públicos têm um natural desprezo para a questão do lixo urbano, e mesmo nas campanhas eleitorais nenhum candidato a prefeito e a vereador toca no assunto. Esse importante problema não figura no rol das prioridades, porque o conceito geral é que o destino do lixo é o amontoamento em terrenos da periferia e que ironicamente recebem o nome de ''aterro sanitário''. Naturalmente que nada existe de sanidade neles e sim muita bactéria, muito mau cheiro e elementos de degradação da biosfera. Mas o lixo tem solução mais civilizada, que é o seu manejo e conversão em material transformado por processo de recicligem e beneficiamento. No dizer dos especialistas, lixo é riqueza, pois pode gerar renda e emprego, que não seja apenas o dos catadores. Cada brasileiro gera diariamente, em média, 800 gramas de lixo, em todas as suas variáveis. Trata-se de uma massa que se produzirá infinitamente, não havendo forma de evitá-la, embora possa ser diminuída e modificada. Os caminhos são o da tecnologia, por um lado, no sentido de usinar e reaproveitar todo esse resíduo, e por outro o da mudança de hábitos das pessoas, de forma a que gerem menos lixo, através de procedimentos que podem ser adotados. Indústrias do gênero já existem em profusão, pelo mundo, e inclusive no Brasil e assim o dejeto orgânico é convertido em adubo organo-mineral, sem a presença de cheiro. Os papéis, plásticos, metais, vidros e outros componentes são separados por processo mecânico e embalados para as indústrias que os adquirem. Quase tudo é reutilizado, só restando um mínimo de detritos para os aterros. Um procedimento, já adotado por força da necessidade de renda de pessoas carentes, é a coleta individual do lixo sólido, e outra é tratar industrialmente o lixo orgnânico, que é justamente o contaminador e expelidor de mau cheiro. Se aquele dá emprego aos catadores, a tecnologia tem solução para o lixo ''rejeitado'' por eles. Por outro lado, a recomendação dos ambientalistas é que as pessoas mudem hábitos e adotem procedimentos que resultem em menos produção de detritos, tanto nos lares como nos escritórios e empresas. O primeiro deles é diminuir o desperdício de alimentos, o que acontece muito nos bairros ricos (prática revelada pela pesquisa nos latões de lixo) e mesmo entre famílias de classe média e até pobres. O sistema adotado por restaurantes, por exemplo, propicia ao freguês a prática do desperdício, enquanto tanta gente passa fome. As indústrias de produtos, de sua vez, deveriam evitar o excesso de embalagens, e os consumidores deveriam optar, até onde possível, pelos produtos a granel. Ao invés da compra de utensílios descartáveis, adquirir os duráveis. Papéis podem ser utilizados dos dois lados, e restos de construção reaproveitados ao invés de lançados aleatoriamente em terrenos baldios (em Londrina o poder público cometeu o crime de autorizar que construtoras lançassem detritos em parte do lago Igapó, até sufocá-lo definitivamente). A questão do lixo é solucionável, dependendo da participação das pessoas e dos poderes públicos.





