Soluções atrasadas para uma crise já instalada
O final de semana promete chuva em São Paulo e, em tempos de pior crise hídrica dos últimos 80 anos, não se pode reclamar de um domingo ou de um carnaval chuvoso. Não é possível culpar apenas São Pedro pela reserva nível zero do Sistema Cantareira, o conjunto de represas criado na década de 1970 e que aproveita as nascentes da bacia do Rio Piracicaba para abastecer a capital do mais rico estado brasileiro. As chuvas de verão são importantes para manter a reserva em dia, mas em 2013 e 2014 elas já foram poucas. Este ano, menos ainda.
Além da estiagem, há dois fatores importantes para considerar. Em primeiro lugar, a mudança climática é um fenômeno real e isso significa que nada será como antes. Em segundo lugar, a população das grandes cidades continua crescendo e exigindo serviços de abastecimento de água e energia. Ontem, o governo do Rio de Janeiro anunciou que planeja ampliar a captação de água dos rios que nascem no Parque Nacional da Tijuca, como alternativa para reduzir a dependência da capital fluminense em relação ao Sistema Guandu, que abastece a cidade. Um balanço hídrico será realizado, assim como um estudo de impacto ambiental. É um trabalho demorado, mas é necessário avaliar e encontrar alternativas sustentáveis de aumentar a oferta hídrica nas grandes cidades.
O volume útil do Sistema Cantareira se esgotou em julho de 2014 e somente agora as autoridades admitiram o racionamento. Nos Estados Unidos, a Califórnia vive um cenário igual ao de São Paulo. Por lá, quem for flagrado desperdiçando água (lavando calçada com mangueira, por exemplo) paga uma multa de 500 dólares. Dessa maneira, os americanos estão conseguindo prorrogar a vida de seus reservatórios.
Outros estados brasileiros, como o Paraná, que ainda não sofrem com o desabastecimento de água também precisam antecipar soluções para uma situação de crise hídrica e conscientizar seus habitantes sobre formas de evitar o desperdício. A sociedade deve lembrar que as mudanças climáticas implicam em mudança de vida e os rios que cortam as cidades merecem atenção. Um triste exemplo do descaso foi constatado anteontem em Londrina, no Lago Norte, quando uma espuma densa e branca invadiu o lugar, provável resultado de um despejo de detergente. A população não deve se iludir, pois a conta desse tipo de crime ambiental será apresentada no futuro próximo.





