Solução que não soluciona
''A saúde brasileira está na UTI.'' Quantas vezes já não lemos ou ouvimos esta frase? Se a área fosse um ser humano ou estaria em coma profundo ou já teria sido enterrada após uma morte agonizante. A falta de solução para os problemas enfrentados em um setor de vital necessidade parece crônica e, durante anos, os planos de saúde complementar pareciam ser porto seguro. Hoje com o aumento no número de usuários e a baixa remuneração de médicos, até mesmo quem possui plano enfrenta problemas.
Mas quando o assunto é atendimento público a situação está ainda mais longe de ser a ideal. Mesmo com a carga tributária brasileira comparável - e até mesmo superior - a de países desenvolvidos, a oferta de serviços de saúde para a população em geral não é equiparável à destas mesmas nações. Faltam especialistas, faltam vagas, faltam postos, faltam leitos em hospitais. Só o descaso e a falta de vontade política parecem sobrar.
Tentam-se fórmulas para minimizar o sofrimento, mas que se mostram incompletas. Como o conceito ''vaga zero'', tema de reportagem especial de hoje nesta FOLHA. Adotado há nove anos pelo Ministério da Saúde, o objetivo é garantir o atendimento a casos de urgência, ainda que não haja leitos disponíveis nos hospitais com maior gama de recursos. Ou seja, as instituições não podem recusar atendimento à pacientes em estado grave, mas muitas vezes não têm onde internar essas pessoas nem respaldo para transferi-las.
A ideia parece até ser justa e lógica. Antes de a medida ser adotada era comum que ambulâncias rodassem de hospital em hospital em busca de atendimento. Só que os investimentos não acompanharam a evolução da medicina. O resultado em Londrina: sobrecarga de médicos e funcionários, longas esperas para pacientes, retenções contínuas de macas do Samu e Siate, e esforços para conter os riscos de infecção. Situação facilmente observável em outros municípios.
Até quando a população será vítima de um sistema ineficaz? A área também precisa de uma reforma urgente, para atender ao princípio fundamental previsto na Constituição: a saúde é direito de todos e dever do Estado. Pena que esse princípio anda meio esquecido.





