Se a Prefeitura de Londrina já contempla, através de lei de incentivos, as empresas que se habilitam a instalar-se no município, é consonante com esse princípio a decisão de financiar a implantação do Camelódromo dentro de um shopping popular, só cabendo agora à Câmara de Vereadores aprovar a verba para esse fim. O prédio já existe, só faltando as adaptações e a implantação dos boxes, e este é o encargo que o poder público se propõe assumir.
A fórmula encontrada, que resolverá um problema já crônico da cidade e tirará os camelôs da informalidade, conta com o apoio da Associação Comercial e Industrial, o que significa consenso entre os comerciantes por tradição o segmento legalizado e pagador de impostos, naturalmente injustiçado se há favorecimentos ao comércio clandestino, ademais ocupando espaços públicos.
A medida atenderá a mais de 300 camelôs, que hoje operam na Avenida São Paulo e na Avenida Leste-Oeste local que já ganhou denominações de Camelódromo, Medina e Mini-Paraguai e a seguir deverá abranger os ambulantes e comerciantes fixos que operam nas barracas da Praça da Bandeira. Paralelamente, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização anuncia a contratação de 70 novos fiscais, para impedir que, uma vez feita a transferência dos atuais camelôs para o novo local que se espera aconteça até o final deste ano novos ambulantes venham a instalar-se em lugares públicos. Este é outro ponto fundamental, pois de pouco adiantará tomar uma medida saneadora agora e, eventualmente, negligenciar e permitir que o problema se reinstale.
Administrar é tomar decisões, e o caminho encontrado pela prefeitura soluciona um problema de Londrina, ao tempo em que dá garantia à manutenção dos empregos proporcionados pelo Camelódromo. Também impede o avanço do que constitui, hoje, uma desobediência civil e uma quebra da ordem pública representada pela presença dos camelôs na praças e inclusive no meio das ruas. Semelhanças com a anarquia urbana e a violência de grandes cidades não confere a Londrina nenhum título de progresso e nem razão de ufanismo.
Walmor Macarini

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