A Foca escolheu a agricultura como motor para o projeto de desenvolvimento sustentável de Itaperuçu. A intenção é que a cidade cresça economicamente, mas sem criar impactos negativos no meio ambiente, explica a presidente da Foca, Marília Bernardes. Os estudos de viabilidade feitos na cidade definiram algumas áreas que vão receber o incentivo da Foca: fruticultura (kiwi e caqui), apicultura, horticultura orgânica e criação de ovelhas.
O projeto prevê a criação da Agência de Desenvolvimento de Itaperuçu, que deve gerenciar um consórcio formado entre os produtores para fiscalizar a qualidade e gerenciar os negócios. A Universidade Federal do Paraná (UFPR) está colaborando com o planejamento e implantação de um campus de excelência em Ciências Agrárias, apoio aos produtores e na implantação de um parque florestal e de um laboratório virtual de florestas.
Segundo Marília, as famílias que participarem do projeto devem respeitar um padrão de qualidade para cada produto. ''Vamos criar um padrão. Onde tiver a marca de Itaperuçu, terá que ter qualidade'', afirmou. Ela disse que cada família participante do projeto poderá plantar o que quiser em seu terreno. ''Mas há determinados produtos que já temos contrato de venda e são os que vamos incentivar a produção'', acrescentou.
Em um mesmo terreno poderão ser desenvolvidos todas as áreas incentivadas pela Foca, explicou Marília. ''As ovelhas podem ficar na mesma área das árvores, que vão fornecer o pólen para as abelhas'', exemplificou. O empreendimento pretende levar a Itaperuçu 10 mil ovelhas leiteiras, espécie que não é criada no Brasil. Com o leite dos animais, Marília disse que é possível fazer variedades de queijos que o Brasil só obtém via importação. ''Os melhores queijos da Itália são feitos com leite de ovelha'', relatou.
O kiwi foi escolhido por ter um mercado consumidor muito grande, explica a presidente da ong. ''A Emater explicou que naquela região poderíamos plantar laranja, porque daria muito bem, mas já temos muito dessa fruta no País'', observou. A Foca plantou uma área de cerca de 50 metros quadrados de kiwi em uma chácara em Itaperuçu onde foram feitos os testes. ''Aqui, na época de colheita, de junho a agosto, colhemos de 250 quilos a 300 quilos'', contou o chacreiro Erival Antônio Barbiot.
A Prefeitura de Itaperuçu também pretende desenvolver produtos industrializados de poncã, fruta bastante cultivada na cidade. ''Hoje temos a poncã apenas nos meses de colheita. Mas queremos fazer geléia de poncã, vinho de poncã, licor e o que mais conseguirmos criar, para termos o ano todo'', disse o secretário de Agricultura, Meio Ambiente, Turismo e Lazer da cidade, Lincoln Sakamato.

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