As tragédias nos presídios acontecem e se repetem, a testemunhar tantas e repetidas vezes que o sistema carcerário e de recuperação de presos e menores delinquentes é ineficaz. Os culpados são o governo e a sociedade, aquele porque não faz e esta porque não cobra e também não se envolve com o problema. Apenas queixa-se das consequências, em defesa da própria segurança, sem atentar para a própria responsabilidade diante do drama social que leva à violência e, consequentemente, ao abarrotamento das prisões, às rebeliões e ao morticínio, como acaba de acontecer em Curitiba. Discutir agora medidas paliativas, projetar a construção de novos presídios, tudo isto apenas vai adiando o problema, que é o da origem da delinquência e, depois que ela se instala, da busca de recuperar os envolvidos. Estes são ao mesmo tempo algozes e vítimas, porque há uma violência antecedente, que reside no próprio sistema social. No Brasil do descaso para este e tantos outros problemas busca-se antes a punição e muito pouco o combate à causa. Mas se os efeitos já assumiram proporções alarmantes que são os atos de violência, o inchaço dos presídios e 'educandários' para menores infratores e as rebeliões advindas há que reunir não o político e o carcereiro mas a comunidade educacional especializada e buscar nessa fonte os indicadores de soluções. Não é uma questão que se resolve rapidamente, mas precisa haver um começo, na verdade um grande começo, eis que alguns sistemas inteligentes de recuperação de presos e de meninos-de-rua já existem, inclusive no Paraná, com excelentes resultados. Falta, na verdade, vontade política, e quando alguma fórmula se esboça é sempre de caráter policial. O isolamento de um delinquente perigoso é necessário, mas tal não deve ser um ''caixão de castigo'', como diz o Secretário do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Roque Zimermann, que é padre e sensível ante o problema mas que ainda não formulou um projeto consistente de educação e reinserção social do encarcerado. Projetos, um dia acabam saindo do papel, mas eles precisam ser elaborados. Há que repetir sempre que a origem dos males sociais está na estrutura da sociedade e do seu sistema centralizador da riqueza, que despreza os circunstantes excluídos e, ao invés de buscar emancipá-los, só faz por proteger-se deles. O resultado desse menoscaso é a explosão, como uma caldeira que só recebe pressão, sem válvulas de escape. Governo e sociedade estão diante de um problema real, que é o da insegurança, porém tão igualmente inseguras são as legiões de marginais. A guerra do medo mútuo está instalada, porque uma pessoa sem emprego, sem moradia decente, sem boa alimentação e sem conforto, e no mais casos descambando para a bebeida e as drogas, também se amedronta ante o sistema dominador, que o sufoca e o deixa fora das condições do bem-estar. Se uma questão já é consequente a promiscuidade das casas de detenção (ou de contenção), com o risco inevitável de confrontos e mortes ali dentro há que se abandonar todas as metodologias falhas e iniciar procedimentos científicos de recuperação dos indivíduos envolvidos com a criminalidade. Os caminhos existem, e também existe gente capacitada para essa tarefa, que é longa e árdua porém a única eficaz. Uma Secretaria de Estado existe não para contemporizar problemas mas para implementar fórmulas de solução. Sua função não é resolvê-los diretamente, porque lhe faltam os mecanismos adequados, mas buscar as viabilidades.

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