Solavancos e baixa velocidade em 140 quilômetros da PR-092
O cinto de segurança não basta. O passageiro do banco de trás, por falta de um segurador no carro, protege-se do jeito que pode. Uma das opções é encostar as mãos com firmeza no teto do carro. A posição é incômoda para viajar, mas a alternativa alivia dos tormentos dos solavancos. Outra opção é escorar com força os pés no encosto do banco da frente, mas esta forma pode gerar queixas do outro passageiro ou do motorista.
É assim que se viaja nos 140 quilômetros da PR-092, entre Santo Antônio da Platina e Jaguariaíva. Trepida-se muito e a velocidade é lenta. A trepidação é causada pelas ondulações do asfalto, devido aos remendos feitos em operações de manutenção da rodovia. A sinalização é precária e em vários pontos a faixa que separa a pista não pode ser vista pelo motorista, principalmente quando a viagem é feita à noite. Não há terceira faixa.
Desde a manhã de segunda-feira a 092 recebeu maior número de veículos em parte dela, devido ao bloqueio na BR-153. Caminhões com destino a São Paulo trafegam em grande quantidade pela rodovia. Não há como ultrapassá-los, pois o movimento de veículos é intenso nos dois sentidos. O motorista submete-se ao ritmo dos comboios de caminhonheiros ou arrisca-se em ultrapassagens feitas às cegas.
O percurso é de apenas 140 quilômetros pela 092. Mas a impressão de quem está dentro do carro é de uma pista interminável, devido ao cansaço provocado pelos solovancos e também pela demora. O início desse trajeto foi às 17h30, em estação de dia curto. Mas o percurso foi cumprido em pouco menos de três horas e meia. Somente por volta das 21 horas a equipe conseguiu chegar a Jaguariaíva. Houve poucas paradas no trecho, pois as condições do acostamento, que em alguns pontos é tomado pelo mato, não facilitam estacionamentos.
Só a partir de Jaguariaíva a viagem foi mais tranquila. O detalhe: o trecho da PR-151, até Piraí do Sul em pista simples e até Ponta Grossa em pista dupla, é pedagiado. Se observa na rodovia infra-estrutura que deveria existir em qualquer rodovia, mesmo nas que não têm pedágio, incluindo sinalização, asfalto perfeito e terceira faixa em pontos estratégicos. Nada mais que o básico existe no trecho administrado por iniciativa privada. Mas a impressão é que se passou de um país a outro.





