Sol em horário errado envelhece a pele e aumenta perigo de câncer
Embora não exista uma comprovação científica de que uma maior ocorrência de câncer de pele seja devido à intensificação da incidência dos raios ultravioletas do sol, em função do esgarçamento da camada de ozônio ao redor do planeta, há um consenso geral de que isso está ocorrendo. Por isso, a preocupação em prevenir, particularmente os grupos de maior risco. De acordo com o médico dermatologista Airton dos Santos Gon, que atua em Londrina, ''as pessoas de pele clara, olhos azuis ou verdes, cabelos loiros ou ruivos e de ascendência européia estão mais sujeitas ao câncer de pele''. Em termos mundiais, ele cita como exemplo o caso da Austrália, em que os descendentes dos colonizadores ingleses apresentam alta propensão para contrair a doença. A preocupação por lá, em relação ao assunto, já é tão grande que as crianças estão sendo obrigadas, ao se expor ao sol, a usar chapéus e cachecóis.
No Brasil, segundo Airton, sabe-se que a taxa de câncer de pele é mais alta na região Sul, com destaque para o Rio Grande do Sul. Em Londrina, de acordo com os dados que levantou para a sua tese de doutorado, no decorrer da década de 70, foram identificados 55 casos de melanoma o tipo mais grave de câncer de pele , enquanto nos anos 90, esse número cresceu para 330.
Mas há ainda, para agravar o problema, a questão cutural. ''Até meados do século retrasado havia uma preocupação em se manter a pele clara, para diferenciar as classes sociais: os nobres, de um lado, e os camponeses curtidos pelo sol , de outro.'' Com a revolução industrial, o quadro se inverteu. ''O operário foi para dentro das fábricas e ficou pálido, enquanto os industriais, os ricos, podiam se dar ao luxo de tomar sol quando quisessem, tendo o bronzeamento se tornado uma espécie de status do ócio'', conta o dermatologista. Depois da segunda guerra mundial, outra reviravolta no comportamento, desta vez relacionada à moda, reduziu a vestimenta surgiram a minissaia, o biquini etc. ''e associou o tom bronzeado à idéia de juventude e saúde''.
Uma associação, na opinião do médico, bastante equivocada. ''Felizmente, hoje há mais conscientização das pessoas em relação aos riscos de se expor descuidadamente ao sol e até mesmo algumas top models já se recusam a se submeter ao autoritarismo do bronzeamento.'' Não tomar sol fora dos horários recomendados até 10 horas, pela manhã, e a partir das 16 horas, no período da tarde; sempre usar protetor solar, mesmo em dias de mormaço e quando estiver em local com iluminação indireta, como dentro do automóvel, por exemplo; e evitar ficar muito exposto, usando roupas não tão reduzidas e apelando aos velhos e bons chapéus e às práticas sombrinhas, são as recomendações básicas para quem não quer levar sustos mais à frente. ''O efeito cumulativo do sol traz o envelhecimento precoce da pele e o perigo do câncer'', explica o médico.





