O II Congresso Brasileiro de Soja, que a Embrapa Soja promove em Foz do Iguaçu, de 3 a 6 de junho, vem precedido de enorme ansiedade e expectativa junto às lideranças e produtores rurais, bem como entre os demais atores do agronegócio. Após perder diversas oportunidades para galgar posições no ranking mundial, durante o período 1985-1995, os produtores brasileiros têm à sua frente perspectivas muito animadoras. O quadro que se desenha aponta para um crescimento da participação do Brasil na produção mundial, devendo saltar das atuais 42 para 50 milhões de toneladas, em menos de cinco anos. Alguns temas que estarão em evidência e que serão discutidos durante o Congresso são os seguintes:
Rumos do mercado
A palestra de abertura do Congresso abordará os rumos do agronegócio da soja, a oferta e a demanda mundial, projetada para os próximos 20 anos. Para tanto foi convidada a Dra. Rajul Pandya-Lorch, do International Food Police Research Institute (Washington - EUA), que dispõe de informações amplas e abalizadas sobre o tema. A partir dessas informações será possível estabelecer um debate acerca das necessidades de ajustes internos, sejam tecnológicos, financeiros ou estruturais, bem como pautar as ações que o Governo brasileiro e as lideranças do agronegócio deverão conduzir com o objetivo de alcançarmos a liderança mundial do plantio e comercialização de soja.
Soja transgênica ou orgânica?
O Brasil se caracteriza pela diversidade de ambientes e pela multiplicidade de oportunidades. O mercado de soja se desdobra em nichos diferenciados. Enquanto os EUA e a Argentina colocaram todas as suas fichas na soja RR, o Brasil dispõe de uma oportunidade de ouro para planejar seu ingresso na era biotecnológica. O mercado mundial está segregando soja convencional e transgênica, dispondo-se ao pagamento de prêmio pela primeira. O mercado de altíssimo valor agregado, como o de lecitinas ou isolados proteicos não admite contaminação com soja transgênica. Para tanto, dispõe-se a pagar até US$4.000,00 por tonelada de lecitina certificada. O mercado de soja orgânica cresce a taxas que variam entre 20 e 30% ao ano, com prêmios de preço que têm estimulado um número cada vez maior de produtores a investir no segmento.
Protecionismo
O Brasil vem alcançando índices impressionantes de competitividade no mercado internacional, apesar dos problemas que os produtores enfrentam com altas taxas de juros, crédito escasso, legislação tributária anacrônica, deficiências estruturais de armazenagem, transporte e portos. A competitividade brasileira levou os EUA a adotarem medidas cada vez mais protecionistas para evitar a derrocada de sua produção de soja. Por sua vez, o Brasil está contestando as medidas adotadas pelos EUA junto à Organização Mundial do Comércio, com o apoio decisivo da FAEP. Estima-se que o subsídio americano represente uma perda de 12% nos ganhos que os produtores brasileiros teriam na sua ausência. Recentemente, uma ONG denominada Focus on Sabbatical propôs o pagamento aos agricultores de US$170,00 por hectare de soja não plantado, o que foi contestado com veemência pelo Ministro Pratini de Morais, e que também demonstra o medo que os agricultores americanos têm da eficiência brasileira.
Ferrugem da soja
Essa doença, uma das mais sérias da soja, ingressou recentemente no Brasil, após sua introdução no Paraguai. Serão necessários inúmeros ajustes no sistema de produção de soja para conviver com a ferrugem, sem que o Brasil perca sua competitividade. O tema é tão importante que o Congresso dedicará um dia inteiro da programação exclusivamente para discutir as recomendações que serão feitas aos agricultores e as necessidades de pesquisa para os próximos anos. Além da ferrugem, outros problemas com pragas e doenças da soja também serão abordados.
Novas cultivares
Nos últimos 15 anos, a produtividade da soja brasileira cresceu cerca de 60%. As novas cultivares, além de mais produtivas, também são resistentes às doenças mais importantes da cultura, e possuem uma adaptação às condições edafo-climáticas locais. O Congresso será palco não apenas da discussão como do lançamento de novas cultivares. Consta da sua programação uma rodada de negócios, em que produtores, cooperativas, distribuidores e outros atores do agronegócio poderão entabular negociações objetivando a aquisição de insumos para a próxima safra.
Participação
DÉCIO LUIZ GAZZONI, é presidente do II CBSoja e pesquisador da Embrapa Soja.

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