Soja pode transformar o Noroeste - Luiz Lourenço
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de julho de 1998
Luiz Lourenço 
No Noroeste do Paraná, as grandes fazendas de pecuária necessitam, rapidamente, procurar diversificar seus negócios, uma vez que com a estabilidade da moeda e a baixa dos preços dos produtos, os rendimentos do setor minguaram.
Mas não é só isso. Agora, mais do que nunca, todas as propriedades precisam exigir um perfil produtivo o suficiente para satisfazer a rigorosa vistoria dos técnicos do Incra. Quem não o fizer, será inapelavelmente desapropriado de suas terras ou estas serão ocupadas arbitrariamente pelo MST.
Difícil imaginar como é que pecuaristas tradicionais conseguirão, de uma hora para outra, investir em novos negócios ou adquirir tecnologia para melhorar os índices de suas propriedades, haja vista que a média de ocupação da região é baixíssima: 0,68 cabeça por hectare. A alternativa interessante que surge é o arrendamento temporário das terras para que agricultores cultivem grãos, façam uma revigorante reforma dos pastos e, com isso, ajudem a colocar essas áreas dentro de padrões aceitáveis de produtividade.
Opção inteligente é o dono oferecer suas terras e, sem fazer nenhum esforço ou investimento, recebê-las depois de alguns anos completamente conservadas e recuperadas em sua fertilidade, além, é claro, de ter participação no volume produzido de grãos. Para os agricultores também é excelente, porque eles conseguem abrir uma nova fronteira agrícola.
A região Noroeste conta, segundo avaliação superficial, com algo em torno de 3,5 milhões de hectares disponíveis a quem se habilitar - mas é preciso que os candidatos a arrendatários sejam agricultores profissionais, com larga experiência em cultivo de grãos, e disponham de boa estrutura de máquinas.
E, se considerarmos a proximidade dessa região com o Sudoeste paulista e o Leste sul-matogrossosense, onde as características de solo e atividade são bastante parecidas, teremos pelo menos o dobro dessa área apta ao mesmo tipo de manejo. Mas, todos fazem a mesma pergunta: será que dá certo produzir em escala competitiva em solos de textura arenosa?
Diversos experimentos desenvolvidos pela iniciativa privada demonstram a plena viabilidade do arenito, cujas características são semelhantes às dos Cerrados - grande produtor de soja. Produtores que já se aventuraram a plantar há mais tempo, não têm dúvidas de que com tecnologia, ou seja, boas variedades, adubação adequada, plantio direto, produção de cobertura verde no inverno e manejo correto do solo, as lavouras do Noroeste podem produzir tanto ou até mais que na famosa terra roxa.
É fundamental insistir no manejo correto do solo para que tenhamos uma solução e não mais um problema. O controle da erosão é um aspecto absolutamente prioritário para a região.
Mesmo com preços abaixo da média alcançada em 1997, a soja deverá avançar sobre os empobrecidos pastos da região, reestruturando o solo e gerando riquezas, o que está difícil de se ver na pecuária. Essa cultura é uma das melhores opções do momento, considerando a realidade do Noroeste, com a vantagem de permitir outro cultivo na entressafra, que pode ser de milho, canola, sorgo ou plantios destinados a adubação verde. Além disso, imaginamos que em apenas 40% da terra recuperada em função do cultivo agrícola, será possível alojar a mesma quantidade de gado que se tem hoje.
Vemos, portanto, uma excelente oportunidade de integração da pecuária com a produção de grãos, algo que precisa contar agora com a participação dos proprietários de terras e dos agricultores, além do indispensável apoio das autoridades, para que o processo de transformação da região Noroeste do Paraná aconteça de forma a gerar benefícios para todos.
- LUIZ LOURENÇO é presidente da Cooperativa Cocamar


