Gustavo Abib

  Mais um ano se inicia e com ele a esperança de milhares de pequenos empresários de crescerem e continuarem no mercado em meio a grande conglomerados. Será que desta vez o governo irá ajudar estas pequenas empresas, força motriz da indústria nacional? Quais serão os benefícios que este novo governo trará para auxiliar e até mesmo prolongar a vida destas empresas no mercado? São os questionamentos mais comuns.
  Grandes invenções surgiram em pequenas oficinas e depois foram melhoradas e produzidas em grande escala. Mas para onde foi a criatividade do pequeno empresário? Ela ainda é muito grande só que está focada em outro setor, como reduzir seus custos para poder se manter no mercado. O dinheiro antes investido na pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, hoje tem destino certo, acudir a empresa nos seus momentos de ‘‘vaca magra’’.
  Os números refletem o sofrimento das pequenas empresas, estejam estas em países muito desenvolvidos assim como subdesenvolvidos, muitas fecham suas portas antes mesmo de completar seu primeiro ano de vida. Segundo o Sebrae, no Brasil, entre 1990-1999, foram criadas 2,7 milhões de microempresas e a taxa de mortalidade chega a 39% do total no seu primeiro ano de vida. Até o terceiro ano, este número chega a surpreendentes 56%. Mas afinal de quem é a culpa? Dos pequenos empresários, do governo, da concorrência, do produto?
  Sabe-se que a receita do sucesso, ou do fracasso é uma mistura de todos estes fatores. Hoje cada vez mais os novos empreendedores estão procurando se aperfeiçoar, procurando dominar ferramentas técnicas para gerir seus negócios da maneira mais profissional possível, evitando assim fracassarem por falta de controles. O governo tenta fazer a sua parte, reduzindo um pouco a carga tributária destas empresas, mas por outro lado reajusta seus serviços como água, luz, telefone e outros impostos que acabam por inviabilizar alguns negócios pois estes não conseguem repassar os custos aos seus produtos.
  Com a abertura do mercado, a famosa globalização, trouxe a promessa de que as empresas teriam seus campos de atuação expandidos, porém esta foi-se deteriorando quando as pequenas empresas descobriram que seus concorrentes aumentaram drasticamente também.
  Como solução cada vez mais as pequenas empresas devem buscar a profissionalização, pesquisando novas técnicas de fabricação, formando cooperativas ou associações para que juntas possam oferecer produtos e serviços de qualidade, a preços competitivos e de forma individualizada. Só assim estas poderão ter um suspiro a mais de vida.
GUSTAVO ABIB é graduado em Administração de Empresas (UEL) com pós-graduação em Finanças e Controladoria (INPG, São Paulo), empresário e professor universitário da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) em Apucarana

Energia social

René Ruschel

  Em seu discurso por ocasião da posse da nova diretoria da Itaipu Binacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dar o tom de seu governo: a questão social é imprescindível. Foi claro quando afirmou que vinha à cerimônia de transmissão de cargos menos pela quantidade de megawatts que a usina gera, mas muito mais pelo que ela representa. Disse ainda que Itaipu é o símbolo do que entende que deva ser a cooperação do Brasil com seus vizinhos de continente.
  Aproveitou para incitar o novo diretor-geral brasileiro, Jorge Samek, a transformá-la também em agente do desenvolvimento social e modelo de integração da política comum à América do Sul, reiterando seu compromisso de campanha quando afirmou que alguns setores podem esperar ‘‘um mês, um ano, mas quem está com fome não pode esperar mais um dia’’. Assim, se os ministérios devem fazer cortes nos orçamentos, disse Lula, que não seja nas verbas sociais.
  Se valer o provérbio de que ‘‘é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe’’, a Itaipu tem um desafio gigantesco e da maior importância no governo petista. Aliás, na primeira entrevista coletiva que concedeu à imprensa, Samek foi enfático ao dizer que a empresa não pode se fechar na condição de ‘‘só produzir energia’’.
  Com uma excelente estrutura tecnológica, de recursos humanos, na área de meio ambiente, aliado à importância que exerce no contexto nacional, sua função deverá ir além de qualquer propósito meramente técnico ou burocrático. Nada é mais prioritário ao presidente Lula que seu programa Fome Zero. No entanto, distribuir alimentos ou recursos aos menos favorecidos é uma questão emergencial.
  O fundamental é o planejamento de uma política de médio e longo prazo alicerçada numa proposta de parceria entre governo e sociedade, que nos últimos anos convencionou-se chamar de responsabilidade social, visando discutir e buscar soluções plausíveis, inclusive com Paraguai e Argentina, que se revertam em emprego, renda, saúde, educação, segurança e lazer.
  Atrelada a este fato, o presidente tem demonstrado que a restauração do Mercosul é não só um projeto econômico como político, onde o Brasil tem obrigação de liderar a retomada do crescimento latino-americano. Mais uma vez, o Paraná e a Itaipu, por suas privilegiadas posições geográficas, vêem-se no centro das atenções.
  A engenharia humana foi capaz de erguer esta gigantesca e monumental obra física, mas incapaz de rever suas mazelas e tampouco solucionar uma dívida social que muitas vezes ela mesma propiciou, deixando seqüelas e cicatrizes profundas que culminaram com fome e miséria vistas a olhos nus, tanto aqui como do lado paraguaio. Mais que estrutura ou capacidade técnica, a questão fundamental neste momento é de vontade e decisão política.
  Encontrar uma saída é a árdua e difícil tarefa que compete a todos indistintamente. Quem sabe se um amplo segmento da sociedade sentasse ao redor da mesa e discutisse as estratégias possíveis, não estaríamos dando o primeiro passo para transformar o sonho em realidade.
RENÉ RUSCHEL é jornalista em Curitiba

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