Socorro aos filantrópicos
Que a saúde está um caos não é novidade. E que os hospitais públicos ou filantrópicos estão endividados também não. O assunto é recorrente, tanto que, com uma frequência cada vez maior, essas instituições lançam campanhas para pedir ajuda da comunidade. É pelo apoio da sociedade que muitos desses hospitais conseguem minimizar os impactos da defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), executar reformas no prédio ou promover melhorias na infraestrutura.
Reportagem publicada recentemente pela FOLHA alertou para a redução de vagas oferecidas pelo SUS no Estado nos últimos três anos. Na ocasião, o presidente da Associação dos Hospitais do Paraná, Benno Kreisel, disse que no caso dos hospitais públicos, o Estado paga a conta e, entre os filantrópicos, "quando a conta não fecha, saem com o pires na mão pedindo ajuda". Hospitais filantrópicos e Santas Casas respondem por 41% das internações feitas pelo SUS e ofertam 37% do total de leitos da rede pública, segundo dados oficiais.
No entanto, ontem, o Ministério da Saúde (MS) anunciou várias medidas para "fortalecer" a atuação dos hospitais filantrópicos. Uma delas é o aumento do incentivo pago às Santas Casas e instituições para garantir o atendimento de procedimentos de média e alta complexidade; outro ponto é o programa de renegociação de dívidas das Santas Casas junto à União. Segundo o MS, no próximo ano essas instituições receberão cerca de R$ 1,7 bilhão, dos quais R$ 103.378.357,50 serão destinados ao Paraná; 65 hospitais serão beneficiados.
A notícia é importante porque pode contribuir para que a população seja atendida com mais agilidade e que as filas de espera por procedimentos sejam reduzidas. Estimativa oficial é que haja um incremento de mais de 20 mil cirurgias no Estado a partir do aporte. No entanto, é preciso garantir que esse dinheiro efetivamente chegue aos hospitais e que os usuários sejam beneficiados. Já passou da hora de a população exigir o cumprimento do direito à saúde que, aliás, é constitucional.





