Socorrer o Instituto Agronômico
Uma situação preocupante é a desatenção do Estado para com o Instituto Agronômico do Paraná-Iapar, que passa por crise financeira, o que resulta na não-contratação de novos pesquisadores e, assim, em queda de qualidade de sua estrutura de pesquisa e tecnologia. O fato tem sido demonstrado por este Jornal e agora também pela Associação dos Engenheiros Agrônomos, que manifesta preocupação pelo destino dessa importante instituição. Com sede em Londrina e núcleos de extensão em todo o Estado, o Iapar tem três décadas de serviço dedicado ao desenvolvimento de tecnologias para o campo. Há muito tempo não há reposição salarial nos seus quadros, o que induz técnicos de extraordinária qualidade a abandonarem a instituição e buscarem condições melhores em outro lugar. Essa evasão de profissionais resulta no enfraquecimento do setor de pesquisas, que é o ponto vital do Iapar e a sua razão de existir. Num Estado cuja economia se estriba na agricultura e na pecuária e nos seus desdobramentos, não se pode permitir que o Instituto Agronômico chegue a essa condição. O Paraná deu um salto de qualidade nesse campo, após o advento do Iapar, e mais ainda com a implantação, logo a seguir, da Embrapa/Soja. Depoimentos de técnicos, constantes de recente publicação, alertam para fatos importantes, como os de que, ''sem o Instituto Agronômico o Paraná poderia ter desistido da volta ao plantio de café, a monocultura da soja poderia ter esgotado a fertilidade de extensa área, a erosão pode ter gerado áreas desertificadas, os produtores poderiam não ter se interessado pelo plantio de trigo''. Alertam ainda que ''sem o trabalho orientador dos técnicos da instituição os mananciais de água estariam contaminados pelo excesso de agrotóxicos, a agricultura familiar não teria chegado ao grau em que se encontra e a praga do bicudo certamente teria destruído os algodoais''. E mais: ''as barreiras do trânsito aos citrus ainda continuariam, a região noroeste não teria dado um salto na melhoria do seu solo, para produção agrícola e para as pastagens'', e ''a cultura do feijão não teria controlado as pragas e doenças''. A produção e a produtividade agrícola e pecuária, no Paraná, alcançaram o grau a que chegaram graças, em grande parte, ao Instituto Agronômico e (na área da soja) à Embrapa. Depois do trabalho persistente e decisivo de valorosos londrinenses do início da década de 70, que reivindicaram a criação desse instituto de pesquisas e conseguiram vê-lo realidade quando outros Estados também o reivindicavam, porque havia disputada verba federal para esse fim as atuais lideranças estaduais vinculadas ao agronegócio têm a obrigação de mobilizar-se e restabelecer a ''saúde'' do Agronômico, que não pode ver deteriorar-se sua estrutura de pesquisa e também não pode perder credibilidade.





