Socorrer Governo via Conselho da República
Socorrer o Governo via Conselho da República é uma solução patriótica e deve ser adotada urgentemente, antes que a situação possa chegar a um ponto de impasse e aí ocorrer de ideais nada democráticos começarem a manifestar-se. A idéia do Conselho, lançada pela Ordem dos Advogados do Brasil, encontra a natural resistência do presidente Lula, pois tal não deixa de caracterizar uma ocorrência de exceção e ele não deseja que isso aconteça justamente em seu Governo. Mas se Lula não tem a necessária competência para gerenciar a situação, não pode dispensar a ajuda desse colegiado, da mesma forma que deve acatar sugestões como as contidas na ''agenda mínima'' que lhe foi apresentada recentemente pela Federação Nacional da Indústria um segmento das elites, que deseja a salvação econômica e institucional. Também deve ser recebida de bom grado a idéia do presidente do Tribunal Superior Eleitoral de encaminhar ao Congresso uma proposta de reforma da Lei Eleitoral, de forma a evitar que deputados ameaçados de cassação renunciem para assim garantir legalmente a possibilidade de reeleição. Se as manifestações públicas de protesto agora também dos estudantes devem continuar, e mais que isso intensificar-se as medidas paralelas de ajuda ao Governo e à governabilidade devem ser adotadas, e Lula fará bem em acatá-las. O Conselho da República não é um organismo interventor mas um órgão superior de consulta, que opera junto ao presidente da República. Estabelecido na Constituição, é integrado pelo vice-presidente, pelos presidentes da Câmara e do Senado, por líderes da maioria e da minoria das duas Casas, pelo ministro da Justiça e por seis cidadãos, brasileiros natos, dois deles nomeados pelo chefe do Governo e mais quatro indicados (dois cada) por Câmara e Senado. Nunca, desde que foi criado em 1989, esse Conselho foi acionado, mas agora é chegada a hora disso acontecer. Se o presidente Lula e membros de seu partido têm declarado que ''as elites desejam desestabilizar o Governo'' e tal não tem fundamento as propostas da OAB, dos empresários e do presidente do TSE nada mais são do que manifestações de elites em socorro do Governo. Dois meses já são decorridos desde que começaram a explodir as denúncias de corrupção, e a nação que fica semiparalisada, embora não a ponto de estar vivendo uma crise gravíssima já está cansada de ouvir, como assunto dominante, o noticiário diário tratando disso. A presença do Conselho da República, que é um instituto democrático, ajudaria a atenuar a intensidade da situação e proporcionaria um alento à população, que já não deseja apenas ouvir corolários de denúncias, mas ações recuperadoras e de restabelecimento da normalidade.





