Sociedade ''moderna''
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de maio de 2003
Gilberto Jordão 
O noticiário da imprensa focaliza constantemente os dramas externos que liga o sistema à miséria cultural e educacional da sociedade.
A sociedade está assistindo, perplexa, a uma escalada de criminalidade no ínterim familiar. Assassinato, dentro da família, tornou-se pauta obrigatória nas editorias dos jornais, revistas, rádio e televisão. Como percebemos os inimigos não estão nas ruas das cidades, mas, sim, dentro do próprio habitat familiar. Mudam os personagens, mas as histórias de famílias destruídas pelo ódio e pelas drogas se repetem. A violência já não se esconde mais, nem dentro dos lares, infelizmente. Os crimes estão sendo cometidos pelas pessoas com o mesmo sobrenome.
Os crimes estão se multiplicando dia-a-dia, tudo em função das drogas. Mas, o que fazer para coibir tais crimes bárbaros? Uma resposta objetiva para tal está na falta de diálogo entre pais e filhos. Não há diálogo entre as partes. Os pais sempre estão ocupados. Daí, então, os filhos recorrem aos ''amigos'' para desabafar suas frustrações e colher ''conselhos''.
Geralmente as tragédias nas famílias são marcadas pelo uso de drogas, dissolução da família e crise de autoridade.
Em nossa sociedade ''moderna'', os pais deixaram de conhecer seus filhos. Na falta de carinho e do diálogo, os jovens estão crescendo sem referência morais e afeto. Muitos filhos recebem boas mesadas, carros e viagens. Mas, com certeza eles trocariam tudo isso por um abraço fraterno e amigável. Mas, como não existem conversas, diálogos, colóquios etc, as respostas dos jovens estão sendo explosões de revolta e ódio. Tais combinações estão relacionadas com as drogas, verdadeiro estopim da loucura final; e, frequentemente, o resultado da falência familiar.
A ausência da família, para o filho, transformou-se em sacrifício, renúncia e sofrimento para todos os envolvidos em nosso cotidiano. Somos constantemente, guiados pelo marketing do consumismo alucinado. A responsabilidade, consequência direta e imediata do ato social, simplesmente evaporou, em todos os aspectos.
A trama, infelizmente, não começa e termina no Terceiro Mundo e em seu protótipo, o Brasil.
Não basta responsabilizar o Estado e compeli-lo a realizar os serviços sociais essenciais, pois ele é a peça central na perversão. A alternativa consiste na liberdade com igualdade, e não nessa utopia existente e imposta.
O que esperar desse Estado onde o político ladrão e aético não vai para a cadeia? Que esperança ter de um País como o nosso, onde o político ladrão e corrupto renuncia a seu mandato, para escapar de uma punição, e fica tudo por isso mesmo? O político só faz isso porque nossa lei é utópica e o ampara!
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá


